<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss'><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065</id><updated>2009-06-02T11:03:46.524-07:00</updated><title type='text'>Aventura, cinema e besteirol</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default?start-index=26&amp;max-results=25'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-1859630933539528845</id><published>2009-01-26T12:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-26T14:08:43.083-08:00</updated><title type='text'>Quero uma cama pequena</title><content type='html'>Dia após dia as camas aumentam de tamanho. Queen, king e até super king size. São camas gigantescas que, em momentos difíceis, poderiam abrigar famílias inteiras. Mas, não. São feitas para dois. Um homem e uma mulher. Ou, num mundo mais moderno, dois homens, duas mulheres. Eu não quero uma cama grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero tanto espaço. Um colchão king size tem mais de um metro e meio de largura. Por que ficar tão longe de quem se ama? Não quero esquecer o seu cheiro enquanto durmo. Prefiro a briga por lençol e os travesseiros se esbarrando. Prefiro ter ali do lado o corpo quente. É mais humano sentir o outro ao seu lado de uma forma tão verdadeira que você sabe, até no sono, que aquilo é amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto as camas aumentam, os sonhos se distanciam. Cada um no seu lado passa a noite sem esbarrar com o outro. Não há mais toque noturno, uma cotovelada advinda de um sonho esquisito, um empurrãozinho sem querer. Não há mais nada disso. Dormem como se estivessem sozinhos. Vivem como se fossem sós. Sonham sozinho (se é que há sonho) e constroem seus castelos noutro lugar. Distantes na cama e nos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimente uma cama miúda, dormir abraçadinho, encostar os pezinhos. E, se forem tão ruins os esbarrões noturnos, talvez seja a hora de buscar outra cama, ou, outro parceiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-1859630933539528845?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/1859630933539528845/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=1859630933539528845' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/1859630933539528845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/1859630933539528845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2009/01/quero-uma-cama-pequena.html' title='Quero uma cama pequena'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-3404038063764413895</id><published>2008-12-05T18:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-05T19:12:13.535-08:00</updated><title type='text'>Depois da quinta</title><content type='html'>Logo depois, muito em seguida, imediatamente após a quinta chega a sexta. E chega mais do que na hora. Não há quem não pense que "se a semana tivesse mais um dia, eu juro que enlouquecia". Quem quer que inventou esta coisa de sete dias certamente estava inspirado. A sexta feira cai no minuto preciso de sua existência e da humana necessidade que ela desperta e vem despertando há mais de 2 mil anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sextas têm um sabor especial. O céu fica mais azul. O dia é mais curto. As pessoas sorriem mais. Há até uma certa leveza no ar. Um "quê" de descompromisso com as obrigações. Afinal, ora, ora, é sexta feira. E tudo que pode ser feito na sexta pode, sim, esperar até segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parêntesis (sempre achei muito louco esta coisa de "dias úteis". Durante dois dias, sábado e domingo, as urgências se escondem, as prioridades são esquecidas, as transações interrompidas. Há um documento importantíssimo a ser assinado em dois dias úteis. Como hoje é sexta, segunda estará assinado, sem problemas e no prazo. Até a bolsa de valores pára. E há quem acredite que ela não pára!). Retomando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O almoço de sexta é mais gostoso que qualquer almoço da semana. Na sexta dá vontade de enfiar o pé na jaca, pedir a batata frita evitada por árduos quatro dias. E a gente pede. Sexta é folga da gravata e cabide para o tailleur. É dia de sair do trabalho no minuto que bate o ponteiro. Afinal, é sexta feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sexta, só não se compensa o engarrafamento. Na ansiedade de chegar àquele lugar o trânsito tinha que cooperar. Ainda assim, até o próprio congestionamento tem seu charme de pôr-do-sol. Mas, como somos humanos e feitos para reclamações, xingamos um pouquinho. Até porque, xingar na sexta tem gosto Maracanã no domingo - é permitido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontades múltiplas: colocar o sono em dia, sair pra cerveja de chinelo no pé, sessão de meia noite, dançar até o sol raiar, DVD com pipoca, buraco com os amigos, festinha cool, jantar com vinho, ou, melhor ainda, carro na estrada. Todos os programas de sexta feira foram feitos para dar o prazer que o dia merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assuma, a cerveja é mais gelada, o filme é melhor dirigido, a festa tem mais gatinha e a estrada estábem cuidada. É por causa do dia. Condição sine qua non.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passa. E passa rápido. No domingo, você sofre. Sofremos com o Faustão, voz que ecoa em todo o país, lembrando a ti que falta novamente muito tempo para encontrar a amada. Mas, sabemos e temos a certeza que ela tarda, mas nunca falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardo-te.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-3404038063764413895?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/3404038063764413895/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=3404038063764413895' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/3404038063764413895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/3404038063764413895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2008/12/depois-da-quinta.html' title='Depois da quinta'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-7385378301943370335</id><published>2008-02-10T06:25:00.000-08:00</published><updated>2008-02-10T07:05:16.671-08:00</updated><title type='text'>A sala da fantasia</title><content type='html'>Adoro cinema. Odeio certos detalhes. Filmes norte americanos, nacionais, franceses, alemães, indianos... cinema. O programa é adorável, com pipoca ou sem pipoca. Sessão de meia noite com direito a chopes antes. Sessão das 16:00 junto com a terceira idade. Jantar depois, ou um milk shake de Ovo Maltine grande durante. Cinema abraçadinho e até cinema sozinha, para impulsionar as reflexões. Até os filmes ruins são bons. E os bons, maravilhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruim mesmo é sentar na primeira fila. Perco a noção da tela e todos os bons detalhes se distorcem. Não consigo dimensionar as proporções das pessoas, da paisagem, dos objetos que são detalhes fundamentais, subliminares, discretos e indiscretos. O pescoço torce, o ombro enrigece e já se vai o bom humor. Podiam eliminar a primeira, a segunda e a terceira fila do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sotaque de ator. Quando um filme americano se passa em outro país, por que não contratam atores nativos? Por que o idioma é o inglês com sotaque? Um bom exemplo é "Amor no tempo do coléra". Inspirado no romance de Gabriel Garcia Marquez, a história se passa na Colombia e os personagens são colombianos. Mas, o idioma é o inglês. Sempre achei isto um bocado ridículo. Uma tentativa esdrúxula de enganar a platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem ouvi, de alguém muito querido, que, assim como há imagens que não podem ser descritas, há palavras que não podem virar imagem. Este é o tênue limiar entre as folhas do livro e as cenas do filme. O que é a força de um, torna-se a fraqueza do outro. Da mesma forma, os complementam. Esta mesma pessoa completou: você pega uma pessoa com o dom da palavra, como Gabriel Garcia Marquez e tenta transformar isto em imagem. É um desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinema. Uma sala feita para assistir sonhos. Ilusões. Verdades e mentiras. A sala das fantasias suas e dos outros. Um lugar onde palavras viram imagens, onde americanos ganham sotaques, onde a morte é uma cena, onde algumas imagens são mais felizes em palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-7385378301943370335?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/7385378301943370335/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=7385378301943370335' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/7385378301943370335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/7385378301943370335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2008/02/sala-da-fantasia.html' title='A sala da fantasia'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-7050183843681364255</id><published>2007-08-17T04:36:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T04:40:04.547-07:00</updated><title type='text'>Sapatos :: Pergunta do dia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Por que sapatos de mulher são tão desconfortáveis? Não conheço uma que não reclame dos dedos apertados, do calo que dói, da bolha no calcanhar. Quero sapatos de homem! Meias grossas, sola reta e até um &lt;em&gt;air&lt;/em&gt; não sei o que. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-7050183843681364255?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/7050183843681364255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=7050183843681364255' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/7050183843681364255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/7050183843681364255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/08/sapatos-pergunta-do-dia.html' title='Sapatos :: Pergunta do dia'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-39236390734620405</id><published>2007-06-09T18:39:00.000-07:00</published><updated>2007-06-09T19:16:05.074-07:00</updated><title type='text'>Felicidade</title><content type='html'>Há uma força um pouco do além, um pouco da gente, um pouco dos outros insistindo que a felicidade tem que ser uma condição de todos, sempre, constantemente. Já não temos mais espaço para sofrer (afinal, há Prozac em toda e qualquer esquina). Já não temos mais argumento para falar "quero cultivar minha dor, posso?". Não, desculpe-me, mas, não pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verão. Ora, há algo mais feliz que o verão? Todo mundo bronzeado, corpos suados e sarados e roupas frescas. Chinelos no pé um suco de fruta na mão. No verão todos sentem-se melhores, o sol alegra, xô tristeza, viva a vida! E como no Rio o verão fica ao menos 10 meses ao ano, temos que ser felizes e saudáveis quase 365 dias ininterruptamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou o namoro, mas, não pode chorar. Tá bom, meia horinha de lágrimas e pronto, calça esta sandália alta, vista a mini-saia e pronto, está PO-DE-RO-SA para AR-RA-SAR na night. Beba até cair, porque assim você esquece este canalha rapidinho e já, já esta dando gargalhada com o novo gatinho, super feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está individada até o último fio de cabelo? Besteira, José, financia o crédito e vamos sair para comemorar. Vai chorar por causa de dinheiro? Por causa de filho? Por causa da casa? Por causa do amor? Da morte? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos donos de nosso próprio destino. Já não é mais o papai quem diz com quem você casa e qual o curso que fará na faculdade. As decisões são suas e, se te trouxerem infelicidade, amiga, a culpa também é sua. Por isso, é bom que seja feliz, que o marido não a traia, que a profissão te dê retornos pessoais e financeiros além do esperado, que os filhos não fiquem em recuperação e, claro, que o corpinho não saia de forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Idiotas os que exigem a felicidade constante. Idiotas porque a tristeza é parte intrínseca de nós, meros seres humanos. Idiotas porque não se cresce na felicidade como se amadurece na dor. Idiotas porque escolhemos errado a vida inteira e sofremos pelos desacertos. Idiotas porque a dor não se vai até que seja digerida por nosso corpo. Ela se camufla e, em algum momento, surge com força e derruba mesmo. Idiotas porque muitos, ao senti-la, entopem-se de drogas legais e ilegais, todas com o igual objetivo de distorcer a sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero dizer que não gosto de sol, muito menos de ficar bronzeada no verão. Quero dizer que, não vou colocar o salto agulha e nem cair na noitada, prefiro um pote de sorvete e assistir "Pretty Woman" pela centésima vez, com lencinho do lado, lógico. Não quero Prozac e muito menos ecstasy. Quero chorar no trânsito, questionar minhas escolhas, assumir o erro, chorar porque errei, porque acertei, porque estou na dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, que venha a felicidade e dure o tempo que durar. Há espaço para lágrimas e sorrisos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-39236390734620405?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/39236390734620405/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=39236390734620405' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/39236390734620405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/39236390734620405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/06/felicidade.html' title='Felicidade'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-255330151898569552</id><published>2007-04-29T17:41:00.000-07:00</published><updated>2007-04-29T18:05:46.249-07:00</updated><title type='text'>Ao doce rapaz</title><content type='html'>Passei anos da minha vida, ou quase toda ela, questionando-me sobre o amor. Virá? Não virá? Tardará ou chegará? Como será? Como serei? Já incrédula, o conheci na forma de pessoa. Muito mais do que podia imaginar, o amor é além de paixão, é mais que atração, é muito mais do que carinho. Amor é....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é inefável e que assim seja eternamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem que ser assim, indescritível. Que mania têm as pessoas  de querer dar nomes a todos os bois, traduzir todos os livros em versões ignóbeis, das quais perde-se tanto sentido. Que mania temos de classificar, pontuar, descrever e transformar em sentenças aquilo que nos foi dado em sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero que amor seja mais que Amor. Ele é belo em seu mistério. Não quero saber o que o causa, quais hormônios se exaltam, quais os efeitos colaterais. Quero que a ciência se preocupe com problemas e não com soluções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu transparente mistério, o tal sentimento que rubra as faces e aquece o coração, se mostrou melhor do que a encomenda. Descobri amizade. Descobri que ele compartilha comigo os melhores e os piores momentos da minha e da sua vida, como os poucos grandes amigos. Descobri mais que cinema abraçadinhos. Vi que podemos curtir uma boa música na pista ou em casa. Descobri horas viajando num carro por caminhos desconhecidos. Descobri que pedalar na chuva pode ser bom. Descobri que sou bonita. Descobri amigos em comum. Descobri alguém para encher o prato. Descobri uma facilidade de sorrir que me encanta e um mau humor que não resiste a uma cosquinha verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que jamais perdi a minha liberdade. Que jamais perdi minha privacidade. Há dias juntos, há noites longes. Aprendemos a compartilhar nossas alegrias. Gargalhadas deliciosas sem motivo, local ou juízo. Olhos úmidos sem por quê, sem querer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero quebrar o mistério e decodificar o amor. Desejo apenas que esteja sempre, para sempre dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-255330151898569552?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/255330151898569552/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=255330151898569552' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/255330151898569552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/255330151898569552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/04/ao-doce-rapaz.html' title='Ao doce rapaz'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-6201495449332418910</id><published>2007-03-21T14:00:00.000-07:00</published><updated>2007-03-21T14:06:18.737-07:00</updated><title type='text'>Sugestão de leitura</title><content type='html'>"The Little Book That Beats the Market", de Joel Greenbalt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro fininho, com letras grandes e muitas tabelas é um B+A=BA sobre o mercado financeiro. Ótimo para quem não sabe economizar, para quem quer aprender e melhor ainda, para quem sabe e faz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-6201495449332418910?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/6201495449332418910/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=6201495449332418910' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/6201495449332418910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/6201495449332418910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/03/sugesto-de-leitura.html' title='Sugestão de leitura'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-1899752285417217</id><published>2007-03-20T07:37:00.000-07:00</published><updated>2007-03-20T08:08:37.605-07:00</updated><title type='text'>Desconfortos e tristezas</title><content type='html'>O que tanto me incomoda por aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choques de temperatura nos entra-e-sai de lugares fechados e ter, com isso, que sempre carregar um casaquinho à mão, mesmo morando numa cidade cujo verão supera os 40 graus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedintes marqueteiros que aprenderam duas coisas:   a aceitar e incorporar a miséria como sentimento, estilo de vida e como uma realidade intransponível e;  a nos atacar aonde somos mais fracos, na compaixão. Com isto, ganham a vida e bastante dinheiro. Façam os cálculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A impunidade que deixa livre ladrões de milhões e ladrões de galinha. A impunidade que estimula crimes cada vez mais violentos e bárbaros e desmoraliza a cidade perante os cariocas, os brasileiros e o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As burocracias de nosso país que servem para abrir margem à corrupção e atrasar a vida do cidadão.  Imagine que temos um tanto de documentos de identificação: RG, CPF, Passaporte, Carteira de Motorista, Carteira de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bola de neve que a ausência do Estado nos coloca. Primeiro, pagamos altos impostos descontados diretamente de nossos salários, que DEVERIAM ir para educação, saúde, transporte, segurança etc. Como o Estado falha em suas obrigações, temos que contratar serviços particulares como escola, plano de saúde, alarmes, grades etc. Como estas empresas também são obrigadas a pagar impostos altíssimos, o preço de seus serviços é obrigado a subir e sobe ainda mais porque como nós, elas também precisam contratar serviços para cobrir a ausência do Estado. E com isso, o preço de tudo sobe, sobe e sobe. E os parlamentares acham certo que seus salários chegue a quase R$25.000 por mês, quase 60 salários mínimos, que eles alegam ser suficiente para uma família viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os políticos. Há tanto a falar que é melhor me calar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sujeira nas praias. As pessoas não têm consciência de que se banharão em seu próprio lixo no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CPMF. Revoltante, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O metrô carioca que acha que fez um progresso danado chegando até o Cantagalo. Bato palmas apenas se chegar à Barra em menos de 10 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inflação que o senhor Presidente mente à respeito. Se ela está tão baixa, como sobem tanto os preços do transporte público, da gasolina,  do feijão e do pãozinho fresco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-1899752285417217?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/1899752285417217/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=1899752285417217' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/1899752285417217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/1899752285417217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/03/desconfortos-e-tristezas.html' title='Desconfortos e tristezas'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-6060025354550761621</id><published>2007-03-12T18:16:00.000-07:00</published><updated>2007-03-15T07:24:36.045-07:00</updated><title type='text'>Uma história de amor</title><content type='html'>Chegou por email, numa tarde qualquer, o convite para madrinha do casamento. Acontece que fui o cupido, na feia cidade industrial do norte da Inglaterra, Leeds, da meiga carioca-nada-da-gema Fernanda e do rebelde siciliano Marco. Como o conto é incomum, até mesmo pelas particularidades geográficas que o acaso surpreende ao unir, vou prestar o papel não apenas de cupido e, por tanto, dona de um ponto de vista privilegiado, como de narradora desta história de amor entre três países e duas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o noivo, Marco, num dia de inverno em um dos mais populares pubs de Leeds, &lt;em&gt;The Eldon Place&lt;/em&gt;, onde os alunos internacionais de todos os continentes reuniam-se às terças para fazer nada além de beber cerveja quente e conhecer outros povos. Lembro-me que era uma noite de neve, pois a Lilian, uma outra brasileira peculiar, ligou do orelhão do bar para sua mãe no Brasil afim de contar-lhe, aos prantos, que estava a ver a neve. E nesse mesmo dia, ao lado do baiano Raony, que por acaso usava um cachecol com as vivas cores da bandeira nacional, Marco nos abordou para comentar algo sobre o dito cachecol. Como não é de se estranhar, apresentou-nos a outro brasileiro, já que há brasileiros por toda a parte. Marco não poupou a garganta, como lhe é de costume, e tentou arduamente obter um bom diálogo conosco. Por ainda não conhece-lo como o conheceria poucos meses a frente achei-o intrometido e logo arrumei uma desculpa qualquer para sair dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me veria livre do siciliano filósofo tão cedo. Por acaso, morávamos na mesma rua e, por motivos de limitados programas sociais na adolescente cidade de Leeds, nos encontrávamos nas populares &lt;em&gt;house parties&lt;/em&gt;, meras festinhas mal organizadas que lotavam as casas dos estudantes, inclusive a minha, e que eram, sem dúvida, o programa mais barato e, por incrível que pareça, o mais divertido da cidade. E entre oi's e ola's começamos a ser amigos. Rapidamente, mudei meu veredito e passava horas rindo de suas histórias, nossas análises fora do comum e nossas invenções mirabolantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi, também, o momento em que comecei a trabalhar no Homarus, o mais badalado bar de salsa e samba de Leeds, talvez por ser o único. Todas as quartas, sextas e sábados passava as tardes e noites preparando drinks como caipirinhas, margueritas, B52 e outros que eu mesma inventava contra as ordens expressas do gerente. O Marco também trabalhava no bar, mas do Bibi's, o mais chique restaurente da cidade, para onde iam as 'celebridades' de Leeds. Após as 23:00, quando seu turno acabava, Marco se juntava ao povo do Bibi's e seguia para o Homarus, onde terminavam a noite com muitas cervejas. Entre um cliente e outro, batíamos um papo e nos atualizávamos sobre as mais célebres fofocas leedianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marco subiu na vida rapidamente e da casa de estudante mudou-se para um moderno apartamento no centro da cidade. Por acaso, no mesmo prédio onde Fernanda e sua família se mudariam em poucos meses. Eu, acostumada com as modestas casas de estudantes, não perdia tempo para sentar-me no sofá de couro da nova casa do Marco e comer o tomate seco de sua vó, trazido especialmente por seus pais em uma visita. Havia televisão de tela plana (é provável que eu esteja fantasiando essa parte, mas ela era grande), aparelho de DVD e panelas inox.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Morrisons é o Mundial de Leeds. É um supermercado que merece destaque, não apenas pelos preços baixos mas, pelo selo Betta Buy, cujos produtos, da mais extensa ordem, são todos envoltos na mesma embalagem vermelha e branca. Qualquer coisa que precise, do leite ao cotonete, encontrará na marca Betta Buy por 1/3 do preço. Não que a qualidade seja boa. O papel higiênico, por exemplo, é do tipo ralacú, a carne de 3a e o azeite é quase vinagre. Betta Buy era marca garantida em qualquer despensa estudantil. Foi no Morrisons, enchendo meu carrinho de produtos Betta Buy, que esbarrei com a Susanna, uma italiana que como qualquer outro personagem deste conto, é muito peculiar. Susanna havia morado na minha casa antes de me mudar, mais precisamente, eu ocupava seu antigo quarto. Mudou-se para outro alojamento por razões que ninguém soube explicar, nem ela mesmo, apesar de demonstrar arrependimento profundo através de suas constantes visitas e limpezas voluntárias na cozinha. Ao ver-me empurrando o carrinho, Susanna saltou de alegria e apresentou-me a menina ao seu lado, Fernanda, uma brasileira que acabara de chegar em Leeds. Após cordiais cumprimentos descobrimos que éramos da mesma cidade no Brasil, do mesmo bairro e da mesma universidade. Tínhamos amigos e conhecidos em comum desde nossos primeiros anos de vida e jamais havíamos nos visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passamos a nos encontrar na universidade para almoços, cafés, bate papos e fofocas típicas do universo feminino que dispensam minuciosidades. Ainda em processo de mudança, visto, passaporte e algumas burocracias que já não estão claras na minha mente, Fernanda voltou ao Brasil e trouxe uma mala de tralhas minhas, como um favor daqueles que não têm preço. Nesse meio tempo, decidi aventurar-me em um trabalho de peão no sul da Inglaterra, em uma companhia de tratamento de grãos, onde sofri e ganhei muito dinheiro em oito semanas. Antes de ir, deixei boa parte de minhas bugingangas estocadas no armário da sala da casa do Marco, algumas coisas com a Fernanda e o resto com outros solidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outubro, quando regressei de Oxford e a rotina se instalou novamente, voltei às festas e vinhos na casa do Marco. Após algumas taças de um Merlot qualquer (com toda sinceridade, não recordo-me com exatidão qual a uva do vinho, apenas quero supor que tenha sido um Merlot porque gosto de Merlot como gosto de qualquer outro vinho) na casa do Marco, lembrei-me meio aos meus devaneios, que havia uma brasileira que morava naquele prédio e que poderia sair conosco para o North Bar. Liguei e logo ela desceu. Apresentei-os sem premeditar o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marco estava com um projeto de filme, que nasceu de um sonho surrealista. As filmagens deveriam começar logo. A Fernanda editaria as cenas, como ficou rapidamente combinado. Foi o motivo que faltava para o destino terminar seu trabalho e eu poder voltar para o Brasil com missão cumprida. Sobre o beijo, não me pergunte, eu já havia saído. Eles terminaram o filme, fizeram muita ponte aéra, falaram pelo Skype até cansar, o Marco terminou sua segunda formação em Psicologia e a Fernanda, sua segunda em Projeto de Produto. Ela foi, ele veio, ela veio e ele foi. Ele pediu, ela aceitou e hoje estão casados, com um novo apartamento para decorar na Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino poderia ter lhes reservado um encontro no elevador do prédio, mas, optou por usar-me como cupido, afinal, elevadores não contam histórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-6060025354550761621?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/6060025354550761621/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=6060025354550761621' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/6060025354550761621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/6060025354550761621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/03/uma-histria-de-amor.html' title='Uma história de amor'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-117130433361074373</id><published>2007-02-12T09:30:00.000-08:00</published><updated>2007-02-16T07:44:55.756-08:00</updated><title type='text'>As texturas de Babel</title><content type='html'>Babel, do diretor Alejandro Gonzalez Iñarritu ("21 Gramas"), é um filme inteligente. Como poucos. Aborda diferentes temas, em locais distintos, de forma extremamente harmônica. Os personagens marroquinos, mexicanos, americanos e japoneses estão longe, muito longe de qualquer estereótipo vulgar. São personagens intensos, enclausurados em seus próprios fardos, ora da imigração ilegal, ora da sexualidade, ora das limitações físicas e das submissões exigidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por ser mexicano e assistir desde sempre sua cultura ser retratada através de cactos, tequila e chapéus de grandes abas pela indústria audiovisual hollywoodiana, Gonzalez tenha desenvolvido sensibilidade madura para respeitar a cultura alheia. Quantos filmes norte americanos, por exemplo, são filmados na Espanha, México, Itália e o idioma local torna-se o inglês com sotaque? É desrespeitoso, quase um insulto à cultura daquele país, mas tornou-se praxe nas pequenas e grandes produções cinematográficas. "Babel" respeita cada cultura através de atores daquele país, que falam os idiomas locais. Parece óbvio, mas requer uma produção demasiadamente mais complexa. O resultado é espetacular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espetacular, também, é o roteiro. Dois garotos marroquinos atiram em um ônibus de turismo para testar o riffle que seu pai lhes deu. O tiro acerta Susan, que viajava com seu marido Richard na tentativa de salvar o casamento. A partir da bala perdida, três histórias se montam em quatro países. Os dramas são descontraídos e reconstruídos através da quebra cronológica que permanece durante todo o filme, sendo um dos pontos cruciais para o suspense ininterrupto. A desordem cronológica impede que o espectador se fixe a um personagem e viva os dramas de cada personagem livre de pré-julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de personagens quase reais, o bonito do filme é a empatia das imagens. Lindas, com muitos planos fechados e cores vivas, movimentos lentos, elas falam de texturas. Pelo toque, nos passam sensações. É quase possível sentir o gosto da comida marroquina ao ver as mãos da família de Youssef manipularem o prato de cuscuz. O braço da babá se enrosca nas costas largas do homem que lhe chama para dançar. O sangue na blusa de Susan e a barba de Richard são texturas que falam mais que palavras. As rugas no rosto da velha que oferece o fumo a Susan e a própria fumaça que se desfaz no quarto são cheiros transmitidos por imagem, são um toque aos olhos. As impressões de "Babel" ficam nas texturas que o filme provoca; no gosto amargo que deixa na boca; na vontade de tocar a pele enrugada, a camisa passada, o sangue seco, a barba para fazer, o vestido vermelho; na aflição que sobra da nudez virgem, na tosse do fumo, na sede no deserto e nas lágrimas derramadas por dores distintas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-117130433361074373?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/117130433361074373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=117130433361074373' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117130433361074373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117130433361074373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/02/as-texturas-de-babel.html' title='As texturas de Babel'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-117076834542404391</id><published>2007-02-06T04:53:00.000-08:00</published><updated>2007-02-06T05:43:36.846-08:00</updated><title type='text'>Chapada Dimantina - Dia 9 e 10</title><content type='html'>Penúltimo dia de nossa viagem. Tristes e felizes. Aproveitamos a energia poupada para fazermos alguns passeios, a começar pela Gruta da Torrinha. Com nosso guia Zezinho equipado de um lampião, adentramos a caverna por um passeio que nos levaria 2.5 horas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zezinho não apenas carregava um sotaque tipicamente baiano, como tinha problemas de dicção, dificultando ou, quase impossibilitando a compreensão de suas explicações. Entendi que ali, naquela gruta, há muitos milhões de anos, passava um rio. O rio secou. O calcário e outros elementos na água provocaram a formação dos estalactites e estalagnites, além de outros tipos de formações raras, como agulhas de gipsita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessamos galerias gigantes e corredores de tetos tão baixos que era preciso andar abaixado. Vimos grilos e baratas albinas, criaturas típicas daquela escuridão e fomos agraciados com uma formação tão raras que foi a única encontrada em todo o mundo: uma flor de aragonita na ponta de um helictite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, aprender os nomes das formações foi um divertimento à parte, ainda mais quando tínhamos que aprender de nosso guia professor Zezinho, com sua terrível dicção. Precisei errar muito e, depois, procurar na internet como realmente se pronunciava cada palavra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que logo no início senti uma leve claustrofobia. Em alguns momentos me vinham pensamentos trágicos. Antes de começar o passeio quis saber quantos desabamentos já houvera naquela gruta. Zezinho me certificou que alguns, provavelmente há milhões de anos. Acabei por acreditar no rapaz e adiante seguimos. Felizmente não houve desabamentos enquanto lá estivemos. E como as formações levam cerca de 33 anos para crescer um centímetro e, algumas delas tinham mais de 1 metro, pude acreditar no Zezinho e tranquilizar-me  no passeio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final, Zezinho nos perguntou algo que lutamos para compreender. Precisamos ouvir três vezes para que eu fizesse a associação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tá perguntando se queremos ver as pinturas rupestres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim terminamos o passeio, vendo as pinturas rupestres no lado de fora da gruta que, acreditam os pesquisadores, podem ter sido feitas por índios, ou, homens da caverna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passeio deu fome. Almoçamos à beira da estrada, na entrada para o Poço do Diabo. Comi tanto que cheguei a provocar risos de meu incrédulo namorado. Então, já com a barriga cheia, fizemos a caminhada até o poço do Diabo. Que decepção! Um restaurante na beira do rio exalava cheiro de churrasco. Uma multidão  brigava por um lugar na água. Me senti na praia do Leblon em dia de feriado. Saímos correndo dali pelas pedras até encontrarmos uma outra queda d'água, bem mais vazia e aconchegante. Lá ficamos até bater a vontade de voltar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite nos arrumamos para o jantar de revellion. Sentados numa praça da cidade, com muita cerveja e um trio de forró ao vivo, fomos servidos de frango, carne seca, carneiro, palma, godó, arroz, feijão, batata e salada. A contagem regressiva começou e o ano virou. Tão logo cessaram os fogos, fomos dormir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, eu queria ir à Cachoeira do Sossego, um passeio de aproximadamente 3 horas. O Pedro achou melhor ficarmos quietos, curtindo o sossego do albergue e esperando que minha tosse melhorasse. Passeamos pela cidade, tentamos almoçar uma picanha (não conseguimos), dormimos, lemos e arrumamos a mala para a volta ao Rio. Que aperto no coração!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-117076834542404391?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/117076834542404391/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=117076834542404391' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117076834542404391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117076834542404391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/02/chapada-dimantina-dia-9-e-10.html' title='Chapada Dimantina - Dia 9 e 10'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-117033628653012006</id><published>2007-02-01T04:46:00.000-08:00</published><updated>2007-02-01T05:24:46.550-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - dia 7 e 8</title><content type='html'>Ainda estava escuro quando saímos de nossa suíte em lona. O relógio marcava 5:00. Se montar a barraca foi um desafio, guardá-la foi ainda mais complicado. Limpa, desmonta aqui, puxa dali, dobra, desdobra, enrola, tira o ar. Pronto. Não adiantava. A barraca não cabia em seu saco. A jogamos no carro e esquentamos o motor da Toyota. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso destino era um dos maiores atrativos da Chapada Diamantina, a Gruta da Pratinha. Erramos o caminho por falta de sinalização e perdemos muito tempo devido à má conservação da estrada, que nos fez ir atrás de um caminhão de galinhas cerca de 10 km. Este curto trajeto nos levou mais de meia hora.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já havia sinalizações indicando a entrada para a gruta. Mais alguns quilômetros por estrada de terra e lá estava ela, a Pratinha. A entrada não é barata, custa R$10 por pessoa apenas para o banho. Quem quiser fazer o passeio pela gruta, precisa desembolsar mais R$15,00 por pessoa. A tirolesa sai por R$5,00. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Pratinha é um rio formado pela água cristalina que vem do lençól freático, saindo de um gruta. A temperatura é ideal para o banho e a profundidade máxima não passa de 2m. Talvez, o que atraia tanta gente seja o fácil acesso. Para chegar à Pratinha não é preciso caminhar mais do que 5 minutos. O local conta, também, com uma infra-estrutura mais elaborada. Há restaurante, quisque e banheiros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos os primeiros a chegar naquela manhã ensolarada e curtimos o azul cristalino a sós por cerca de 15 minutos. Pequenos peixes famintos beliscavam minha perna. O Pedro saiu ileso ao ataque. Lembrei-me da cantiga que meu avô ensinou a minha mãe: "Eu queria ser um peixe / pra nadar em poço fundo / e morder coxa de moça / que é a mió (sic) coisa do mundo". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que o sol mostrasse sua potência nordestina, a Pratinha encheu-se de crianças com bolas, homens, mulheres e guias. Muitos gritavam de certo encantamento. Chamou-me a atenção como um grupo entrava na água de roupa. Ao sair, tiravam a camiseta. Ao entrar, colocavam-na novamente. Não entendi a tradição.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma moleza tomou conta de meu corpo. Mesmo vendo toda aquela beleza, sentia um sono intenso, um desejo incontrolável de deitar-me. E foi o que fiz. Apoiada numa mesa de madeira embaixo de uma amendoeira, encostei minha cabeça em minhas mãos e cochilei. Logo falei que não estava me bem. O Pedro, sem acreditar, brincou ensinuando que era preguiça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrarmos no carro, minhas bochechas enrubresceram. Enfim, ao tocar em minha testa, Pedro acreditou que era real. Dei início a uma crise de tosse que se prolongaria pelos próximos 30 dias, sem haver xarope que a curasse. Nossos planos para o dia foram cancelados. Acenamos para o Morro do Pai Inácio e Poço do Diabo, que ficam à beira da estrada no caminho para Lençóis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ardendo em febre, chegamos ao Hostel Chapada, no centro de Lençóis, onde tínhamos reserva até o final da viagem. Após um tylenol e muita água, dormi algumas horas e acordei suada. Como é de minha natureza, nada abala meu apetite. Almoçamos um PF não tão bom quanto o da Dona Belli, ainda assim saboroso, no pequeno restaurante de duas mesas ao lado do albergue. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto do dia deitada. À noite a febre voltou. Durante a madrugada, dormi pouco, acordando com crises de tosses que devem ter acordado todos do albergue. No dia seguinte, aproveitamos para ler, descansar, comer e dar um passeio pela cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-117033628653012006?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/117033628653012006/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=117033628653012006' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117033628653012006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/117033628653012006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/02/chapada-diamantina-dia-7-e-8.html' title='Chapada Diamantina - dia 7 e 8'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116966235517596131</id><published>2007-01-24T09:39:00.000-08:00</published><updated>2007-01-24T10:12:35.213-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - Dia 6</title><content type='html'>Mais uma madrugada. Eram 5:30 quando deixamos a barraca. Na mochila, o necessário: 3 litros de água, sanduíches, protetor solar e, por via das dúvidas, um casaquinho. Tomamos café na tia ao lado do camping. Com fome, pedi um bolo de cenoura com chocolate, uma vitamina de banana com nescau, um suco de laranha e um sanduiche de queijo com ovo. As porções eram gigantescas e precisei da ajuda do Pedro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ir de carro até a entrada do parque, que nos levaria à Cachoeira da Fumaça. O Pedro não. Ele ganhou e seguimos &lt;em&gt;&lt;/em&gt;by feet&lt;em&gt;&lt;/em&gt; mesmo. É claro que o caminho era muito mais longe do que nas nossas lembranças e até a chegada do parque já havíamos andado quase dois quilômetros, comendo poeira pela estrada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte da trilha, como nos informou um senhor que levava sua mula para sabe-se lá aonde, seria uma subida de uma hora e, então, andaríamos mais 60 minutos no plano. E assim foi. O céu nos abençoou com um dia nublado e caminhada seguiu num ritmo bem acelerado, apesar de a subida ser bem íngreme. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito interessante como as trilhas da Chapada são tão bem marcadas pelas pegadas humanas e animais. São poucas as bifurcações e o caminho tem um traçado natural perfeito, permitindo aos andarilhos seguir com mais tranquilidade ao destino final. Na subida, o chão seco e íngreme formou uma escada natural que não ajuda muito o joelho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cume da Cachoeira da Fumaça é estoneante. Do alto de seus 380m a água cai num verde vale que se extende em forma de corredor e segue para além da vista. Como o leito do rio não é forte, em épocas de seca, como era aquela, a queda d'agua é bem fraca e torna-se uma humilde goteira que se perde na altura. Mesmo sem a esperada água, a vista deslumbra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na beira do abismo uma pedra se extende, permitindo aos curiosos e corajosos olharem o chão, 400m abaixo. Confesso que de tão alto, fiquei um pouco tonta. O que meus olhos viram não sai em nenhuma fotografia e espero que não saia da memória jamais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das curiosidades da Cachoeira da Fumaça é a hospitalidade dos animais. Alguns roedores vieram nos cumprimentar com olhos de fome. Enquanto estivemos lá, ficaram nos rodeando, ora se escondendo nas pedras, ora procurando algum sanduiche dando sopa. Os passarinhos eram um pouco mais abusados. Chegavam bem próximos de nós e piavam ao nos ver comer. Contra toda a ética da ecologia, não resisti e dei um pedacinho de pão ao pedinte pássaro. Mas ora, ele chegou bem próximo a minha mão, olhou o pedaço, fez cara de mau e saiu de perto, aos pulinhos. Só agradeceu quando ofereci uma migalha um pouco mais farta. Comeu-a e saiu pulando pelo chão. Ouvi um resmungo, mas acreditei que era coisa da minha cabeça.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos animais selvagens fica no cume o Seu Paulo, responsável por uma lanchonete improvisada, que contava com alguns isopores de sanduiche e sucos naturais e uma placa oferencendo seus serviços. É verdade que corta um pouco do encanto, mas, ouvi dizer que o pastel de jaca era sensacional. Não experimentei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cume estava, também, um casal. Guias pelo Centro Excursionista Brasileiro (CEB), os dois conheciam muito bem a Chapada Diamantina, que visitavam duas vezes por ano. Dessa vez, já estavam dentro do parque, acampando e explorando, há 6 dias e ficariam mais alguns. As mochilas cargueiras estavam cheias e o casal repleto de energia se despediu e seguiu adiante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós descemos. A volta, sem a íngreme subida, foi mais rápida e fácil. Em 1h 40min estávamos na estrada. Como reclamei por termos ido à pé! Como ansiei por um carro que me levasse direto para a barraca! Como pareci uma criança mimada! Confesso que só me acalmei depois de tomar banho, chegar ao centro do Vale do Capão (3 minutos à pé do camping) DE CARRO e ver na minha frente o prato do almoço, obviamente acompanhado de uma cerveja gelada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116966235517596131?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116966235517596131/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116966235517596131' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116966235517596131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116966235517596131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-6.html' title='Chapada Diamantina - Dia 6'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116949919698003733</id><published>2007-01-22T12:37:00.000-08:00</published><updated>2007-01-23T04:51:38.566-08:00</updated><title type='text'>Chapada diamantina - Dia 5</title><content type='html'>Descansamos bastante na tarde anterior e queríamos fazer algo bem tranquilo, que não fosse preciso caminhar horas e horas. Após algumas informações mal informadas, seguimos com a Toyota em direção à cachoeira do Riachinho. Deveríamos virar à direita logo depois da segunda ponte, já saindo da vila. Não parecia difícil. Havia uma placa, em uma ponte, indicando "Parque do Riachinho". A entrada, no entanto, ficava à esquerda e, por isso, não paramos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em Rio Grande e nada de entrada à direita. Havíamos passado a entrada e regressamos. A entrada era, de fato, à esquerda e fomos, mais uma vez, mal informados. Uma curta trilha de menos de 10 minutos nos levou à bela cachoeira. Logo, grupos chegaram e o pequena piscina natural logo se encheu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água estava muito fria. Demorei um pouco a mergulhar e assim que o fiz me direcionei às pedras, que formavam uma cama com massagem natural. Fiquei deitada alguns segundos até sentir que algo me incomodava no braço. Vi uma pequenina minhoca aquática que se mexia no meu braço. Tirei-a e tornei a deitar nas pedras. As coceiras aumentaram e quando me dei conta havia centenas de minhocas grudadas nos meus braços, pernas, costas, ombro e biquini. O Pedro ainda criava coragem, na outra margem do lago, para entrar na água. Enquanto tirava as melecadas minhocas de meu epiderme pedia socorro. Foi a única forma de faze-lo entrar na água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do episódio fiquei um pouco receosa de sentar, entrar na água e curtir a cachoeira. Diverti-me mais observando que se algum azarado como eu seria vítima das gosmentas. Até onde pude observar fui, realmente, a única. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos ainda cedo para o centro da cidade e curtimos algumas garrafas de Skol enquanto esperávamos a hora do almoço. À tarde, mais alguns cochilos na barraca e, à noite, uma pizza no forno à lenha com suco de morango. Um luxo à parte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116949919698003733?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116949919698003733/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116949919698003733' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116949919698003733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116949919698003733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-5.html' title='Chapada diamantina - Dia 5'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116889712866417724</id><published>2007-01-15T13:16:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T13:38:48.696-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - Dia 4</title><content type='html'>Já não me lembro em que estado encontrava-se a estrada que nos levou de Guiné ao Vale do Capão. Após tantos quilômetros assistindo o asfalto passar por baixo do carro e as árvores correrem pela janela, tudo parece igual. Lembro apenas que, num pequeno povoado de nome Rio Grande, fomos abordados por um rapaz meio hippie, de chapéu largo, cabelos longos e mal cuidados e um bigode muito semelhante aquele usado na época dos impérios e, atualmente, coisa de colecionador de bigode. Nos pediu carona até o vale e mesmo vendo que não havia espaço (retiramos, ainda no Rio, o banco de trás da Bandeirantes para dar espaço para as malas e tralhas, que ocupavam todo o espaço disponível), insistiu com tanta obstinação que o Pedro levantou-se para arrumar o porta-malas. Empilhou de um lado, empurrou do outro, jogou algumas coisas para o meu colo e lá veio o garoto com uma mochila maior do que eu, um amigo e uma outra grande mochila cargueira. Como couberam ali, não sabemos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentamos desenrolar algum diálogo mas, nada do que o nossos companheiros falavam fazia muito sentido para nós. Após alguns "o que?" "desculpa, não entendi", preferi sorrir para qualquer coisa que dissesse. A dica boa ficou para nos mostrar a entrada da trilha para Cachoeira da Fumaça. Contáva-nos sobre sua expedição pelo Vale do Paty e após algumas partes que eu não entendi, perguntei se havia feito a trilha de 3 ou 5 dias e eis que me responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que nada. Fiquei 15 dias ali, andando de mula. - E desatou numa gargalhada compartilhada por todos do carro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme nossos amigos do Vale do Paty nos indicaram, fomos à Pousada Sempre Viva que dispunha de um espaço para camping. Mal sabíamos que nosso sagrado sono estava fadado a acabar ali. A pousada era grande e tinha muitas árvores ao redor de pequenos chalés e casinhas. O preço do quarto variava entre R$8,00 a R$10,00 por pessoa. O mais barato dispunha de banheiro coletivo e o outro, individual. O acampamento saia a R$5,00 por pessoa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem muito trabalho, montamos a barraca debaixo de uma grande árvore que nos forneceria sombra durante todo o dia. Dentro coloquei os sacos de dormir, travesseiros, pijamas, água e alguns utensílios necessários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já um tanto esfomeados fomos ao centro da cidade procurar algum lugar para comer. Encontramos o restaurante de comida caseira da Dona Belli, que ficava dentro da casa da própria Dona. Junto à televisão e diversos porta-retratos com fotografias dos membros da família ficavam tres mesas repletas de moscas excitadas. O PF custava R$5,00 e vinha com arroz, feijão, salada, farofa, verdura e carne de sol ou frango. Foi, sem dúvida, a mais deliciosa comida de toda a viagem. Tanto que, durante toda nossa hospedagem no Vale do Capão comemos na Dona Belli. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o resto do dia descansamos na barraca, andamos pela cidade e conversamos. A noite, na hora de dormir, começou o drama. Não havia posição confortável naquele chão duro e cheio de pequenas saliências que nos machuvacam as costas, os quadris, os braços. Eu, que tantas vezes acampei e sempre dormi perfeitamente bem, passei a noite acordando a cada nova posição. De manhã, todos os ossos doíam. A cada novo dia o desconforto era maior. Fomos firmes e não cedemos à pousada. Dormimos mal, mas dormimos acampados!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116889712866417724?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116889712866417724/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116889712866417724' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116889712866417724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116889712866417724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-4.html' title='Chapada Diamantina - Dia 4'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116854857463628005</id><published>2007-01-11T11:14:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T12:49:36.396-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - Dia 3</title><content type='html'>Estávamos prontos para o novo desafio. Colocamos todas as malas no carro e pegamos estrada. Dirigimos até Guiné, onde deveríamos procurar pelo guia Zezinho. Após algumas perguntas na praça da cidade encontramos sua casa. Apesar da música alta e do pitbull que não parava de nos fitar, o vizinho avisou que ele havia saído. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele deixa a música ligada pro cachorro não sair. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à praça fomos ao encontro de Edinho, um guia local. Muito solícito nos convidou a entrar em sua casa e nos explicou o trajeto que iríamos percorrer até o Vale do Paty, considerado uma das vistas mais bonitas do Brasil. Edinho, no entanto, não iria conosco, pois era Natal e ele ficaria com sua esposa e seu filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animados com a empreitada passamos no mercadinho mais próximo e compramos os suplementos necessários. Cinco litros de água, biscoito doce, pão, presunto, queijo, miojo, isqueiro e papel higiênico. No carro, preparamos as mochilas cargueiras e, no escaldante sol baiano do meio dia, começamos a caminhada. O carro ficou bem na entrada da trilha. Um privilégio à parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo fomos ultrapassados por um nativo que carregava um colchão. Como alguns, ele mora no Vale do Paty, onde a única forma de entrada e saída são os pés, ou, as patas de mulas. O sujeito do colchão nos cumprimentou, parou para responder as perguntas dos curiosos turistas e seguiu com seu passo certeiro e sua noite de sono na cabeça. Não demorou para sumir de nossas vistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira parte da trilha era íngreme e cheia de pedras. A subida, junto ao calor, nos fazia parar a cada 10 minutos de caminhada para, ao menos, um gole de água. A paisagem que ali surgia já era bela. De acordo com Edinho aquele era um caminho centenário. As marcas de tantos anos de pegadas deixaram a trilha muito bem marca, facilitando nossa direção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a subida íngreme andamos por um bom trecho plano, seguido de subidas e descidas em morros. Cada vez a vista era mais agradável aos olhos. Chegamos ao Rio Preto, onde paramos para almoçar. O Pedro aproveitou a oportunidade solitária para banhar-se no rio, enquanto eu tentava me esquivar das mutucas e devorar meu sanduiche. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira dúvida quanto ao caminho surgiu logo após um muro de pedras. A trilha bifurcava e algo me dizia que deveríamos pegar para a esquerda. Pedro insistiu para seguirmos à direita. Dei o braço a torcer e prosseguimos em ritmo mais acelarado, já que o sol cansou de nos castigar tão ferozmente. Andávamos já calados, um tanto cansados. Comecei a preocupar-me. Pelos meus cálculos, haveríamos de, ao menos, começar a descer o vale e a trilha apontava para um infinito contínuo no horizonte. Resmunguei um pouco até que paramos. Joguei a mochila no chão e adentrei o mato baixo em direção ao vale. Quando chegamos há uns 30 metros e olhamos a nossa volta entendemos porque aquela era uma das mais belas vistas do Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedras e morros desciam vertiginosamente até o chão, onde o tapete verde dos morros mais baixos contrastava com o reflexo do sol nas pedras. Ficamos a admirar. Lá embaixo, muito abaixo, uma pequena casa branca se mostrava no meio do verde. Era ali que deveríamos ir, acreditávamos. Certamente aquela seria a casa do nativo Seu Wilson, onde Edinho nos garantiu que poderíamos pernoitar com tranquilidade. Olhei ao redor e nenhum sinal de trilha. Como poderia ser que deveríamos descer o vale se continuávamos a andar em frente? Teimei que erramos na bifurcação. Pedro, muito certeiro de suas diretrizes, insistiu que seguindo adiante chegaríamos lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o fizemos. Seguimos em frente. Eu já um tanto incerta do caminho, resmungava cabisbaixa. O Pedro cortou meu barato com uma bronca que me fez até sorrir. De acordo com ele eu estava entrando em pânico e não havia porquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então, para minha felicidade, que vimos a trilha novamente bifurcar. Embora o Pedro insistisse em seguir à direita, eu impus minha vontade e fomos ver para aonde ia a trilha da esquerda. Ah, ela começava a descer o vale! Eu estava certa! E lá fomos nós, já contentes de que logo, logo, chegaríamos a casa do Seu Wilson. Imaginei um bolo, um suco fresco, uma cama confortável. Aí, imaginei os cachorros que poderiam nos atacar. E se não tivesse ninguém na casa? Aonde dormiríamos? Então, a angústia me apossou novamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais uma hora de caminhada o Pedro começou a rir. Lá estava ela, agora em tamanho real. Branca e grande. E não era uma, mas algumas casinhas. Cachorro, sim, mas, bem mansinho. De nome Cachorrinha. A casa de Seu Wilson, no entanto, não era aquela. Ficava a uma hora de caminhada "pra lá daquele morro". Ora, quem precisa de Seu Wilson quando se tem o João? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, também nativo do Vale do Pati, cuida da Ruinha, onde nos encontrávamos. Além da casa branca, havia uma pequena igreja com muitas imagens de santos, velas e adereços, uma casa de barro e outra pequenina, onde dormiríamos. João nos ofereceu um colchão e eu logo pensei que viria com pulgas. Quanto preconceito! A cama preparada no chão estava impecável. Além dela, o quarto contava com um candelabro preso na parede e nada mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Vale do Paty não há luz elétrica e muito menos telefone. O contato mais perto fica em Guiné, há 12km dali e o único acesso é a trilha centenária. Havia um banheiro com um potente chuveiro de água gelada do rio e um fogão à lenha perfeito para o preparo de nosso jantar. Além de seu João, estava lá uma prima sua de Guiné, que costumava passar as férias ali com cinco de seus seis filhos. Uma das crianças, a mais nova, era portadora de uma deficiência física que a mãe me explicou apenas como "aleijadinha, torta dos pés". Já consciente de sua condição diferente, o menino recusou-se a brincar comigo. Quando pedi que viesse ao meu colo, abriu a boca e chamou por "mainha". Hospedados também na Ruinha estava uma família de soteropolitanos. O pai e seus três filhos (16 - 19 anos) tinham o costume de passar as férias na Chapada. Já estavam no Vale do Paty, explorando a região, há 6 dias. Clara, a filha mais velha, contou-me que não aguentava mais tomar banho frio e lavar o cabelo com sabão de côco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite já caia quando fomos preparar, junto à família de João, nosso jantar. Um macarrão com molho de tomate nos satisfez em grande estilo. Sem muita esperança, perguntei se ali havia cerveja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ter tem. Mas não é gelada. A gente esfria na água. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um recipiente cheio de água João tirou duas latas de cerveja. Na temperatura ambiente, nenhuma cerveja esteve tão gelada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto comíamos, a família de Salvador aguardava seu guia, que vinha de Guiné para leva-los, na manhã seguinte, ao Cachoeirão. Na escuridão do vale vimos surgir, no alto da colina, uma luz. Jau, o guia, desceu o vale em uma velocidade impressionante e em pouco tempo já contava histórias de terror de Ruinha envolta da lareira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 20:00, exaustos, Pedro e eu fomos dormir. É claro que, com minha lanterna, vasculhei todos os cantos do quarto em busca de animais peçonhetos que pudessem ferir minha integridade física. Nada encontrei. Nem mosquito. Às 5:00 levantávamos para seguir viagem. Preparamos miojo para café da manhã, arrumamos nossas mochilas, juntamos nosso lixo, demos adeus e seguimos de volta. Dessa vez, pelo caminho mais curto. Como nos explicou João, erramos na trilha. Após o muro de pedra era à esquerda que deveríamos ter pego. Nos pouparia uma hora de viagem. O caminho por nós percorrido, mais fácil e mais longo, era usado apenas para levar mulas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o caminho mais curto e sem o sol nos castigando, chegamos em Guiné às 9:30. Fizemos um lanche na padaria mais perto e demos adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116854857463628005?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116854857463628005/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116854857463628005' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116854857463628005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116854857463628005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-3.html' title='Chapada Diamantina - Dia 3'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116844182151397545</id><published>2007-01-10T06:19:00.000-08:00</published><updated>2007-01-11T06:49:02.026-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - Dia 2</title><content type='html'>O dia começava a raiar quando saimos de nosso cafofo e pegamos estrada rumo à Ibicoara, onde chegaríamos à Cachoeira do Buracão. Novamente, preferimos fazer o passeio por conta própria, ao invés de contratar um guia em Mucugê, ou, pagar uma fortuna para uma agência de ecoturismo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho era longo e Ibicoara ficava bem ao sul da Chapada Diamantina, a quase 80km de Mucugê. Atravessamos o pequeno município de Cascavel e pegamos um longo trecho de estrada de terra, com um visual belíssimo e inspirador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos um tanto impressionados ao chegar em Ibicoara. Esperávamos um pequeno vilarejo e encontramos uma cidade maior que Mucugê e muito maior que Cascavel. Como poderia, tão distante da BR e entre vilarejos tão pequenos, formar-se uma cidade de tal tamanho? É verdade que não havia o charme de Mucugê com suas casas coloniais. No entanto, para quem foi de carro para a Chapada Diamantina, como nós, seria mais prático fazer a primeira parada em Ibicoara e desfrutar de seus tantos atrativos naturais. Economizaria muito chão, ao menos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No centro da cidade contratamos, na Associação de Condutores de Visitantes de Ibicoara, o nosso guia local, Roney. Para entrar no parque é obrigatório a companhia de um guia local. Novamente, uma norma questionável. Se, por um lado, os condutores de visitantes podem ajudar na conscientezação e respeito à natureza, por outro, a obrigatoriedade de sua condução elitiza a prática da atividade, que chega a custar, no preço mais baixo, R$50,00 por dia. Apesar de ser direito de todos conhecer um patrimônio de beleza natural como a Cachoeira do Buracão, não são todos que poderão visitá-la em função de seu alto custo. E claro, se para cada passeio for cobrado uma taxa obrigatória como essa, certamente a atividade torna-se inviável para a grande maioria das pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente Roney era extramente agradável e fez questão de nos mostrar os melhores pontos para fotos e banhos ao longo do leito do rio. Sempre repetia sorridentemente que o "paisagismo era lindo" (sic). Ainda nos ofereceu godó (comida típica da região, preparada com banana verde e temperos, que pode ser acompanhada de carne de sol), mas, seria necessário comer com a mão, já que sua esposa esqueceu de lhe dar os talhares. Preferi ficar na curiosidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trilha não é pesada e torna-se muito mais aprazível devido às constantes paradas para admirar o "paisagismo" e tomar banho de rio. Em um determinado momento pudemos vislumbrar de cima da cachoeira os 87m de queda. Caminhamos mais 15 minutos até chegarmos na entrada do canyon. Agora, era preciso colocar os coletes salva-vidas e nadar em direção oposta à força do rio, por entre as paredes de rocha, até a cachoeira. Roney levou nossas câmeras fotográficas e, ao invés de nadar, seguiu pelas pedras, numa "escalaminhada". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Nunca vi algo tão lindo. A cachoeira caia de cima de uma parede redonda de canyon cor de terra, mais parecido com uma sala de estar. O resto era água cor de chá mate, que saía da 'sala' e descia por entre o corredor formado pelo canyon e seguia para não sei onde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à infância. Cobertos de felicidades e êxtase nadávamos na água de temperatura perfeita em direção à cacheira. A queda d'água era tão forte que não podíamos ficar embaixo dela. Nas laterais, pequenas cacheiras eram formadas, com força adequada para seres humanos. Nadar até lá era difícil, já que a força da água fazia uma correnteza que nos puxava na direção oposta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roney nos apontou para o local ideal para pulos. Obviamente, enchi o peito e nadei por cinco minutos, até sentir-me exaurida. Após muito sacrifício chegamos próximo à queda e subimos nas pedras. O som era tão alto que mal conseguíamos nos ouvir. Vendo de perto toda aquela potência maestral, digna de uma cachoeira de 87m, fiquei com medo de pular. Senti-me impotante e vulnerável. Após ver o Pedro jogar-se da rocha ao encontro da água e ver nele o sorriso de satisfação, contei até três e atirei-me. A água afastou-me rapidamente com sua correnteza e deixei que me levasse para a margem do lago. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase uma hora depois sentíamo-nos prontos para voltar, na certeza de que aquele foi um passeio para sempre. Na volta, ainda desfrutamos de uma queda menor, na qual a força da água havia desenhado uma perfeita maca na pedra onde deitados recebíamos uma massagem muito melhor que qualquer técnica oriental, mediavel, sobrenatural. Massageamos pés, pernas, coluna e cabeça às gargalhadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos os 3km à pé e os 30km até Ibicoara, onde deixamos Roney em sua casa. Como era natal e estávamos mortos de fome, paramos em uma pousada e nos deliciamos com um prato de arroz, macarrão, carne de sol e palma (também prato típico da região, feito de cactos), acompanhado de uma boa cerveja gelada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116844182151397545?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116844182151397545/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116844182151397545' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116844182151397545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116844182151397545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-2.html' title='Chapada Diamantina - Dia 2'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116827224192288947</id><published>2007-01-08T07:02:00.001-08:00</published><updated>2007-01-08T08:04:01.936-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - Dia 1</title><content type='html'>Após doze horas de sono profundo, acordamos às 8:30 da manhã na deliciosa pousada Pé de Serra. Já recuperados do cansaço da viagem, levantamos para um café da manhã inesquecível. Pães, bolos caseiros, sucos de fruta frescos, iogurte caseiro, geléias caseiras, mucunzá, aipim cozido no fogão à lenha, frutas e queijos nos fizeram comer por quase uma hora. Enfim estávamos pronto para nosso primeiro destino: Poço Encantado e Poço Azul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solicitamos informções no centro turístico de Mucugê. O rapaz que nos atendeu, atenciosamente, nos deixou bem claro que seria aconselhável contratar guias locais para qualquer passeio. Achei aquilo um tanto estranho, agradeci e saímos para pensar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia cabimento pagar R$50,00 a diária de um guia local para nos levar a locais tão turísticos, como prometia ser os nossos destinos. Além da diária do guia sairia por nossa conta o carro, combustível, farnel etc. Com um mapa na mão, decidimos ir por conta própria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia qualquer sinalização na estrada nos indicando a entrada para os poços. Háviamos pego as diretrizes antes e ainda assim passamos a entrada. Ouvimos dizer que acredita-se que são os próprios guias quem retiram as indicações, para que os turistas necessitem de seus serviços (hiperflacionados). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos parar algumas vezes para pedir informação e enfim chegamos no Poço Encantado. Qual não foi nossa surpresa ao descobrir que havia uma taxa de manutenção de R$5,00 por pessoa para que visitássemos a gruta? Na gruta seríamos guiados por um outro guia. Ou seja, o guia que 'deveríamos' ter contratado seria apenas utilizado para nos guiar na estrada mal sinalizada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desencantamentos à parte, o Poço Encantado é de uma beleza rara. Após uma caminhada de 5 a 10 minutos por dentro da gruta, pode-se apreciar a água translúcida da gruta. O banho não é permitido há alguns anos, quando notou-se que a gordura de protetores solar e outros produtos utilizados pelos banhistas poluia a água parada. Mais que certo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos uma água de coco em um bar ao lado e voltamos na estrada de barro até o Poço Azul, alguns quilômetros antes. Mais uma taxa de R$6,00 por pessoa cobrada em uma guarita branca. Nesse passeio o banho é permitido é vale à pena. A água do lençol freático é cristalina e vem na temperatura ideal. Tivemos sorte de pegar a gruta vazia, permitindo que curtíssemos aquele pedaço de paraíso sozinhos. Ficamos cerca de 45 minutos na piscina natural, junto a morcegos que aterrorizavam com seus voos razantes. Com o colete salva vidas era impossível afundar na água e fugir dos voadores noturnos. O guia que nos acompanhou ria da carioca medrosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminamos o passeio com uma cerveja gelada e seguimos, com nosso novo guia de 14 anos, Valnei, para um passeio fora do roteiro convencional. Ele nos levou a um olho d'agua, nos garantindo que era formado pela mesma água do Poço Azul. De fato, o lago era lindo e de água cristalina. Enquanto Pedro mergulhou, eu preferi ficar batendo fotos e molhando apenas os pés. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite já caía e voltamos para Mucugê, atravessando os vilarejos que povoam a região. Ao chegar na pousada preparamos cheeseburgers com ovo no fogareiro que levamos. O jantar foi servido à luz de lampião, na varanda de nosso quarto, em um estilo bem romântico e pouco convencional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era tarde e ansiosos para o programa do dia seguinte, Cachoeira do Buracão, fomos dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116827224192288947?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116827224192288947/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116827224192288947' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116827224192288947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116827224192288947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-dia-1_08.html' title='Chapada Diamantina - Dia 1'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116801996209171281</id><published>2007-01-05T09:14:00.000-08:00</published><updated>2007-01-05T10:05:26.010-08:00</updated><title type='text'>Chapada Diamantina - pé na estrada</title><content type='html'>Após quase 8 meses de ansiedade, finalmente chegou, no dia 21 de dezembro de 2006, a hora de colocar o pé na estrada rumo à Chapada Diamantina. Muito agitados e loucos de vontade de chegar o quanto antes, aproveitamos a empolgação para dirigir 15 horas no primeiro dia. Creio que a última hora da viagem tenha sido em busca de um lugar para dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos em um hotel na beira da estrada, na saída de Teófilo Otoni, MG, e quase caímos para trás quando a funcionária nos deu o preço da noite: R$100,00. Sem hesitar ou sequer questionar nosso cansaço, seguimos em frente, otimistas de que, de uma forma ou outra estávamos cada vez mais perto de nosso destino final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podíamos imaginar, contudo, que a partir daquele momento a estrada tornar-se-ia tão deserta! Precisamos de mais 40km até um vilarejo de nome desconhecido. Perguntamos sobre pousadas e nos apontaram vilarejo à dentro. Opa. Parecia ideal. O preço certamente seria melhor. Seguimos a ruela de paralelepípedo até esbarrarmos com a "Pousada da Silva". Nem sequer paramos o carro, apenas demos marcha ré e continuamos na já bastante esburacada e escura estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que encontramos, uns 30km à frente, a pousada em que pernoitamos. Exaustos, preparamos sopa de saquinho em nosso fogareiro e antes das 22:00 já dormiámos pesadamente. A alegria do bom sono duraria pouco. Por volta das 3:30 da manhã os tantos viajantes que ali pernoitaram, também, já começavam seus preparativos para a estrada e faziam barulho, muito barulho. Irritados, pedimos silêncio em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 5:00 da manhã do dia 22 já estávamos aquecendo o motor da Bandeirantes. Éramos um dos últimos hóspedes a deixar a pousada. O café da manhã, servido em uma sala improvisada no escuro, foi o suficiente para nos dar a sustância necessário por algumas horas na estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das 11:00 da manhã nossos estômagos já pediam um lanche, ou melhor, um almoço no melhor estilo caminhoneiro. Foi quando passávamos a cidade de Anagé, já no sul da Bahia. Logo na entrada havia um posto Texaco e restaurante ao lado. Foi então, prontos para sentarmos e pedirmos um prato de comida, que descobrimos que na Bahia não há horário de verão. A comida só seria servida em 1 hora. Preferimos entrar na cidade e encontrar alguma padaria, onde comeríamos o tradicional misto quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acreditem. Não há misto quente em Anagé. Não há presunto em Anagé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desiludida e já faminta, vi meu lado primitivo, da caça e da sobrevivência, virem à tona em uma grande onda de mau humor. Concentrada em devorar os restos de pão com manteiga que levávamos conosco não percebi quando o Pedro parou o carro em frente ao Restaurante do Gauchão. Gauchão, na realidade, faz muito sucesso na Bahia, pois é o nome dado a quase todas as churrascarias de lá. E lá fomos servido pelo próprio Gauchão, um senhor paulista. Comi com demasiado gosto e 30 minutos depois já pegava no sono enquanto o Pedro dirigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última parte da viagem foi, certamente, a pior de todas. Os 25km entre Igatu e Tanhaçu eram de uma estrada altamente precária e destruída. Creio que levamos quase 1 hora para percorrer o trecho. Chegando em Tanhaçu um senhor negro sem dente acenou para nós e, não sei por que cargas d'água nós paramos o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mucugê é pra lá - e apontou a direção que devíamos seguir - eles já passaram por aqui e pediram para eu avisar o caminho, avisa lá que falaram comigo. O senhor se despediu e eu agradeci a informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele sabia para aonde íamos? E quem eram "eles"? Coisas do sul da Bahia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguimos chegar em Mucugê no final da tarde e ainda curtimos um pouco da cidade. Exaustos, dirigimos nesses dois dias, 25 horas e percorremos quase 1300km. Passamos por dezenas de cidades, povoados, vilarejos. Sentimos a mudança no clima e vimos o céu ficar mais "baixo" na Bahia. Atravessamos rodovias precárias e sentimos a omissão do governo tanto na miséria que viámos pela janela como no chacoalhar do carro que pulava nos buracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Chapada Diamantina. O paraíso era ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116801996209171281?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116801996209171281/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116801996209171281' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116801996209171281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116801996209171281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2007/01/chapada-diamantina-p-na-estrada.html' title='Chapada Diamantina - pé na estrada'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116656680877955440</id><published>2006-12-19T13:39:00.000-08:00</published><updated>2006-12-19T14:20:08.806-08:00</updated><title type='text'>Imperdoável, meus caros!</title><content type='html'>Não fiquei desapontada com o aumento de mais de 90% no salário dos nossos deputados e senadores. Não foi surpresa alguma tamanha ousadia. Em um país onde atos de corrupção recebem carta branca, o auto aumento salarial, supostamente legal e constitucional, soa como mais uma das "tantas" obrigações do Congresso, apenas mais uma de suas responsabilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lástima os parlamentares não terem, até hoje, percebido que deveriam representar o povo e o que é bom para o povo. A política no Brasil não se dota de atos sociais, mas, individuais. O bom político não faz pelo povo, faz para si. Aldo Rabelo alegou que é muito desgastante e constrangedor decidir sobre seu próprio salário. Imagine se dedicasse tanto empenho em resolver alguns dos tantos problemas nacionais. Talvez parasse no hospital. Coitado. Quero saber se será constrangedor, no entanto, ver tamanho valor na sua conta bancária. Além, claro, de todas os benefícios acrescidos que, de acordo com matéria do jornal O Globo, podem chegar a cem mil reais mensais para cada parlamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O novo salário dos senadores e deputados  é um paradoxo a um país como o Brasil. Um país com  uma das mais gritantes desigualdades sociais do planeta sustenta os mais bem pagos políticos daTerra. Nosso país está decadente. A criminalidade cresce exponencialmente e paralelamente à miséria (a pobreza é digna, a miséria arruina qualquer escrúpulo de um cidadão). E os parlamentares se reunem para discutir um aumento berrante de seus contra-cheques. Discutem arduamente seus valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Políticos deveriam pagar para trabalhar. Uma forma de retribuir os tantos anos de omissão e corrupção. E deveriam pagar caro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há salários de R$24.000,00 no Brasil. Profissionais competentes chegam a ganhar esse valor e até mais. Seus salários, contudo, derivam de sua produtividade e rentabilidade à empresa. Certamente, se a empresa não estivesse lucrando com aquele profissional, seu pagamento não seria tão alto e ele seria, possivelmente, demitido. Certamente, a empresa não diria para seus funcionários: por favor, decidam seus salários que nós, sem qualquer questionamento sobre o valor estipulado - mesmo que ele não condiza com seu ritmo de trabalho, ou com a realidade orçamentária da empresa - prepararemos seu contracheque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil não apresenta condições financeiras de bancar toda essa gente, que adicionará por volta de R$150 milhões ao ano aos gastos públicos, ou seja, ao nosso bolso. Se a saúde, a educação, o saneamento básico, as estradas e por aí em diante estão necessitando urgentemente de manutenção e investimento, como pode parecer que o país dispõe de capital suficiente para tamanha despesa? Deputados e senadores passarão a ganhar um salário de classe média alta, uma disparidade irritante para com o assalariado.  "Salário de rico", dirão muitos. Ricos políticos num país de miseráveis. E miseráveis pela simples falta de investimento, competência e corrupção que assolam descaradamente nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil poderia sair do buraco se houvesse alguma dignidade na política nacional. Ato que vemos apodrecido há muitos anos. Não é surpresa o auto aumento salarial, mas é imperdoável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116656680877955440?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116656680877955440/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116656680877955440' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116656680877955440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116656680877955440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/12/imperdovel-meus-caros.html' title='Imperdoável, meus caros!'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116499176740791191</id><published>2006-12-01T08:46:00.000-08:00</published><updated>2006-12-01T08:54:06.416-08:00</updated><title type='text'>Free Fall</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5204/4080/1600/910501/garraf??o"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/5204/4080/320/242944/garraf%3F%3Fo%20055.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ah! Liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adoro esse céu tão azul, a falta de chão e alegria da molecagem. Estávamos tão longe de tanta coisa e tão perto de outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A queda não doeu. Nem sequer caímos. O mundo estava sob nossos pés. Inteiro. Nos esperando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma foto para colocar no porta-retrato. Para fazer sorrir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116499176740791191?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116499176740791191/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116499176740791191' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116499176740791191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116499176740791191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/12/free-fall.html' title='Free Fall'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116464864384665277</id><published>2006-11-27T08:46:00.000-08:00</published><updated>2006-11-27T09:30:44.016-08:00</updated><title type='text'>Amantes constantes. Difícil</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amantes constantes, &lt;/em&gt;do diretor francês Phillippe Garrel é, antes de tudo, um filme diferente do que se tem visto nos últimos tempos. Ainda não decidi se gostei. Mas, para os amantes da grande tela, certamente vale à pena. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O pano de fundo para o romance de um jovem casal revolucionário foi a guerrilha urbana estudantil que tomou conta de Paris em maio de 68. Frustados pela derrota e por não conseguirem o apoio dos proletariados e camponeses, um grupo de estudantes vive na casa de Antonie, um rapaz rico que herdou a fortuna de seu pai e passa seus dias fumando ópio. Os amigos o acompanham nos intorpecentes e na decadência da juventude, que perde o sentido de suas lutas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O filme é em preto e branco e sua fotografia, feita com demasiada cautela, é simplesmente bela. Os planos lentos permitem que se admire o contraste da cor e da ausência de cor com cuidado. Há planos tão extensos que mais parecem uma fotografia still. O diretor trabalhou extensivamente closes de seus personagens, permitindo ao telespectador observar  os detalhes da luz, dos olhares e, assim, entrar na busca perdida dos personagens. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Amantes constantes &lt;/em&gt;tem quase 3 horas de duração. A sensação, contudo, é de muito mais tempo sentado na cadeira do cinema, já que não estamos acostumados esse ritmo. Muitos não aguentam.Foi grande o número de pessoas que saiu do cinema durante a sessão. Não os culpo. Não é um filme fácil. Mas, certamente, é belo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando pensamos em cenas de guerra, logo surge em nossas mentes uma edição ágil, fogos, explosões, filmes a lá Spielberg, como "Soldado Ryan", ou "Platoon", de Oliver Stone. Não. Phillippe Garrel fez da guerra uma poesia estética. Há longos tilts, pans e contínuas seqüências de seus protagonistas parados, esperando sem a comum expressão de exaustão. É uma nova linguagem, ou, um resgate de uma linguagem que há algum tempo não surgia nas grandes telas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que deixa a desejar é a legenda. De cor branca, ela se torna ilegível em muitos momentos do filme. Para quem não sabe francês, a perda afetará a compreensão geral do filme. Aqueles que forem assistir, vai a dica: não deixe de ir no banheiro antes e comprar comes e bebes. No mais, aproveite e curtam as imagens. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116464864384665277?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116464864384665277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116464864384665277' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116464864384665277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116464864384665277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/11/amantes-constantes-difcil.html' title='Amantes constantes. Difícil'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116416940872828306</id><published>2006-11-21T19:46:00.000-08:00</published><updated>2006-11-21T20:23:28.736-08:00</updated><title type='text'>Inspiração. Criança mal-criada</title><content type='html'>Não me conformo com essa tal de Inspiração. Ontem, deitada na cama, já na madrugada abafada desse Rio de Janeiro, ela chegou e jogou pro alto meus lençóis, sacudiu meus pés e puxou meu travesseiro. As frases vinham feito as águas do Iguaçú, aos montes. E eu permanecia deitada, ouvindo o burburinho da Inspiração. Cogitei acender a luz e colocar no papel aquilo tudo. Mudei de idéia. Não apenas pela preguiça que, de fato, era grande. Também por saber que, no momento que meu corpo começasse a se movimentar, ela desapareceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado, hoje, após minha tranqüila noite de sono, não me lembro de absolutamente nada que me disse a Inspiração. Nada. Nem uma única frase. Nem a idéia central. Necas. Assim como veio, se foi. Nessa brincadeira de Inspiração em momentos impróprios é que se perdem as grandes sacadas da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem que ter alguma explicação. Na reunião chata de trabalho, o olho mexe prum lado, a cadeira vira um pra direita,  pra esquerda e de repente, algo desperta a atenção. E lá vem ela, sorrateira, toda contente, jogando idéias brilhantes, frases feitas, inteligentes, aquelas sacadas ótimas. E eu, lutando, tentando tirá-la dali. Sai, vai embora Inspiração, agora não. Volta daqui a pouco. Me encontra lá fora. Não adianta. Ela impreguina até o constrangimento de ser pega em devaneio. Final da reunião. Para onde ela foi? Ninguém sabe, ninguém viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais experientes aconselham o caderninho e a caneta sempre à mão. Isso falam os escritores, os músicos, os diretores, os publicitários e todos aqueles que penam para não perde-la. Preciso admitir que nunca segui o conselho à risca. Às vezes, vou à papelaria, escolho um caderno cuja capa me remete à Inspiração, junto a ele uma caneta BIC e jogo o novo kit na sacola de inutilidades femininas. Inútil. Basta trocar de bolsa que o caderno fica na outra e logo se perde nas montanhas de papéis que entulho nas gavetas de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a Inspiração fosse gente, a minha seria uma daquelas meninas bem tagarelas e sapecas, de tranças loiras dividindo o cabelo em dois. Sapatos boneca pretos e vestidinho azul de bordado branco. Sorridente. Acho que ela pode ser banguela. Com certeza, estaria naquela idade agitada, que tanto distanciam os adultos das crianças. Aquela agitação típica, que faz qualquer adolescente se sentir um ancião. E não pense que é uma criança carinhosa, não. É dessas bem mal criadas, que você pede silêncio e ela fala, inconvenientemente, na frente de quem quer que seja. Você pede pra repetir e ela sai correndo, desobedientemente, sem nem olhar para trás. Te acorda aos gritos, some quando você mais precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto esse papo de que um bom texto precisa de 1% de Inspiração e 99% de transpiração. Se não fosse aquele sinal inicial de nada adiantaria toda a sudorese posterior. Inspiração, quando chega em boa hora, é quase como receber um santo. A pessoa, ou o médium, datilografa totalmente distante do mundo que o cerca, imune aos sons, cheiros e pessoas. Depois, vem a parte chata. Editar, corrigir, procurar os erros, consertar, repuxar, retocar. Detalhes imprescindíveis e dependentes daquele impulso inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria encontro com hora marcada. Todos os dias, às 9:30 ela vem. Fica até a pausa para o café, come uma bolacha e volta ao serviço. Também estou aberta a horários mais flexíveis, que se encaixe à rotina da Inspiração mais comodamente. Não assino carteira, mas, dou benefícios. A colocaria sempre nos agradecimentos, que poderia, também, ser escrito por ela própria. Pode me acompanhar, tudo por minha conta, ao cinema, teatro, passeios na praia e viagens de lazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta está feita. Aguardo retorno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116416940872828306?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116416940872828306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116416940872828306' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116416940872828306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116416940872828306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/11/inspirao-criana-mal-criada.html' title='Inspiração. Criança mal-criada'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116353813404405138</id><published>2006-11-14T12:40:00.000-08:00</published><updated>2006-11-14T13:58:00.466-08:00</updated><title type='text'>Merthiolate não arde</title><content type='html'>Quem teve a idéia de mudar a fórmula do Merthiolate? Agora, perdeu a graça. Ele não arde mais. Masoquismo? Pode ser. A ardência é a graça, o charme, o mimo, o sopro da mãe no joelho machucado. Passar Merthiolate ficou fácil demais, nem sentimos mais a dor da cura. Banalizou. Não compro mais. Vou passar iodo nos meus filhos, quando tive-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na infância, brincávamos de correr na estrada de barro, lá no sítio. Deixar a bicicleta me levar ladeira abaixo naquela rua esburacada, enquanto meus pés descansavam no guidão e o vento batia em meu rosto. Claro que, muitas vezes, perdia o controle e encontrava-me com o chão. Chorando chegava ao colo de minha mãe ou de meu pai e esperava os cuidados e curativos com certo temor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limpavam-me os ferimentos com água, secavam com gaze e com uma pequena repreensão: "Mas, por que você foi fazer isso?" E eu, cheia de culpa, gostava do contrasenso - talvez já antecipasse a saudade que sentiria desses anos. Via minha mãe levantar-se e mexer no ármario espelhado do banheiro. Na mão, trazia Merthiolate e então começava a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não quero Merthiolate! É preciso. Senão infecciona. Vai, me dá o braço. E eu o segurava com força enquanto da boca saiam os gritos da dor ainda por vir. Às vezes, era preciso estar mãe e pai ao meu lado, acalmando-me enquanto eu buscava a coragem para deixar que passassem o Merthiolate. Não lembro se, de fato, a dor era tanta ou se parte disso era a carência imensurável que sempre tive. A verdade é que eu gostava de ter minha mãe e meu pai ali, cuidando de meus pequenos e insignificantes ferimentos. Sempre exigi o tal sopro depois. Pai, você sopra? Mãe, jura que você vai soprar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles sempre sopraram. Nunca deixaram de assoprar meus machucados quando passavam Merthiolate. O sopro acalmava e em alguns segundos parava de arder. Eu sabia que os bichinhos morriam e que, logo, logo, o ralado em meu braço ganharia uma casquinha. A dor era inevitável e o sofrimento, um charme à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? O que farão as crianças sem o ardor do Merthiolate? Sem os pais que assoprem seus machucados e sem a certeza de que os micróbios estão realmente mortos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116353813404405138?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116353813404405138/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116353813404405138' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116353813404405138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116353813404405138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/11/merthiolate-no-arde.html' title='Merthiolate não arde'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-36508065.post-116353680286172452</id><published>2006-11-14T12:33:00.000-08:00</published><updated>2006-11-14T12:40:02.870-08:00</updated><title type='text'>Cinema - Os infiltrados- just too much</title><content type='html'>Não me sinto capacitada a fazer uma crítica contundente sobre Martin Scorsese. Fica, então, apenas a dica: não deixem de assistir "Os infiltrados". É 100% Scorsese, uma violência inteligente, sarcástica, irônica e envolvente. Planos de filmagem originalíssimos, trilha sonora nota 10, edição ritmada e ágil e diálogo delirante. Muito sangue, muita ação, muito, muito bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/36508065-116353680286172452?l=carolgregory.blogspot.com'/&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://carolgregory.blogspot.com/feeds/116353680286172452/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='https://www.blogger.com/comment.g?blogID=36508065&amp;postID=116353680286172452' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116353680286172452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/36508065/posts/default/116353680286172452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://carolgregory.blogspot.com/2006/11/cinema-os-infiltrados-just-too-much.html' title='Cinema - Os infiltrados- just too much'/><author><name>Caroline Gregory</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12972738379864844264</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:extendedProperty xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' name='OpenSocialUserId' value='07381204360460270027'/></author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></entry></feed>