Domingo, Fevereiro 14, 2010

Segunda semana


A segunda semana de desafios foi verdadeiramente mais difícil que a primeira. Sinto que o caminho natural das coisas é sempre se acomodar. A graça desse exercício é justamente não deixar o corpo cair em seu conforto, em não deixar a mente se aquietar. Então, mesmo com a dificuldade do conforto, completei meus três desafios.

O primeiro aconteceu por acaso; como acontecem as coisas quando você está aberto ao mundo. Acaso. As boas surpresas do acaso. Minha amiga Rafaela havia me sugerido fazer uma amiga na rua. Respondi que já havia pensado nisso, mas, amizades não são coisas planejadas; elas acontecem.

Chama-se Katerina minha nova amiga. Chegou há menos de uma semana da terra das estrelas e perdida encontrava-se no ponto de ônibus em frente ao hospital Ronald Reagan (aquele onde morrem os famosos, incluindo Michael Jackson). Queria pegar um ônibus e visitar os condomínios da universidade para alunos de pós-graduação.  Justamente onde moro. Coincidência?

Eu, que já estava atrasada para minha aula, fiquei e conversamos por cerca de vinte minutos. Coisas triviais. Coisa de gente que está se conhecendo em situações inesperadas. Trocamos email e agora é preciso seguir a fórmula: cultivar.

Na sexta feira Pedro me acompanhou em mais uma nova sensação: assistir a uma ópera. Tratava-se da ópera Giasone, de Francesco Cavalli, composta no século XVII. Por falta de lugar melhor, sentamos na primeira fila. Não é tão ruim como a primeira fila de cinema, mas, continua não poupando a coluna. O espetáculo era uma adaptação bem humorística e moderna da obra original. Não entendia nada, já que canta-se em italiano. O público ria constantemente. Sussurrei no ouvido do Pedro: “eu não sei do que riem, eu não entendo nada”. Ele balançou a cabeça, concordando comigo. Ainda assim, curtia as vozes, a música, o cenário simples. As vezes fechava os olhos e deixava que o som preenchesse o vazio de meus ouvidos.

Depois do primeiro intervalo, já sentados e curtindo o espetáculo, ainda incrédula com a quantidade de gente naquela platéia que falava italiano, percebi, lá no alto do palco, quase no teto a legenda em inglês. Descobrimos que óperas são traduzidas.

Três horas e dois intervalos depois as luzes acenderam-se permanentemente e o espetáculo chegou ao fim.

O domingo chegou e eu não havia terminado minha lista. Ainda não terminei, serei sincera. Mas, a idéia já está aqui: quero agradecer uma pessoa muito especial na minha vida. Uma pessoa a quem nunca consegui dizer “obrigada”. Eu era pequena e não sabia o quanto aquele ano havia me impactado. É uma pessoa que pensava diferente, agia diferente e esforçava-se para ser sempre o melhor exemplo para seus alunos, minha professora da terceira serie, a Mrs. Eleonor.

Vou escrever uma carta a ela e postar aqui, quando estiver enviado. É importante agradecer às pessoas que te marcaram. Agradecer pelo simples fato de terem te marcado. 

1 Comments:

Blogger rafa said...

Nossa, Carol, como estou orgulhosa de vc! Senti inveja da sua ida à Ópera...senti inveja das suas 3 loucuras diárias, senti inveja da sua nova amiga, senti inveja que vc vai mandar uma carta para alguém que te marcou...senti inveja! Vou transformar isso numa coisa boa... vou me deixar inspirar por vc... tb vou agradecer alguém querido! Depois te conto!

Obrigada por existir vc!!r

15/02/10 16:12  

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