Imperdoável, meus caros!
Não fiquei desapontada com o aumento de mais de 90% no salário dos nossos deputados e senadores. Não foi surpresa alguma tamanha ousadia. Em um país onde atos de corrupção recebem carta branca, o auto aumento salarial, supostamente legal e constitucional, soa como mais uma das "tantas" obrigações do Congresso, apenas mais uma de suas responsabilidades.
Uma lástima os parlamentares não terem, até hoje, percebido que deveriam representar o povo e o que é bom para o povo. A política no Brasil não se dota de atos sociais, mas, individuais. O bom político não faz pelo povo, faz para si. Aldo Rabelo alegou que é muito desgastante e constrangedor decidir sobre seu próprio salário. Imagine se dedicasse tanto empenho em resolver alguns dos tantos problemas nacionais. Talvez parasse no hospital. Coitado. Quero saber se será constrangedor, no entanto, ver tamanho valor na sua conta bancária. Além, claro, de todas os benefícios acrescidos que, de acordo com matéria do jornal O Globo, podem chegar a cem mil reais mensais para cada parlamentar.
O novo salário dos senadores e deputados é um paradoxo a um país como o Brasil. Um país com uma das mais gritantes desigualdades sociais do planeta sustenta os mais bem pagos políticos daTerra. Nosso país está decadente. A criminalidade cresce exponencialmente e paralelamente à miséria (a pobreza é digna, a miséria arruina qualquer escrúpulo de um cidadão). E os parlamentares se reunem para discutir um aumento berrante de seus contra-cheques. Discutem arduamente seus valores.
Políticos deveriam pagar para trabalhar. Uma forma de retribuir os tantos anos de omissão e corrupção. E deveriam pagar caro.
Há salários de R$24.000,00 no Brasil. Profissionais competentes chegam a ganhar esse valor e até mais. Seus salários, contudo, derivam de sua produtividade e rentabilidade à empresa. Certamente, se a empresa não estivesse lucrando com aquele profissional, seu pagamento não seria tão alto e ele seria, possivelmente, demitido. Certamente, a empresa não diria para seus funcionários: por favor, decidam seus salários que nós, sem qualquer questionamento sobre o valor estipulado - mesmo que ele não condiza com seu ritmo de trabalho, ou com a realidade orçamentária da empresa - prepararemos seu contracheque.
O Brasil não apresenta condições financeiras de bancar toda essa gente, que adicionará por volta de R$150 milhões ao ano aos gastos públicos, ou seja, ao nosso bolso. Se a saúde, a educação, o saneamento básico, as estradas e por aí em diante estão necessitando urgentemente de manutenção e investimento, como pode parecer que o país dispõe de capital suficiente para tamanha despesa? Deputados e senadores passarão a ganhar um salário de classe média alta, uma disparidade irritante para com o assalariado. "Salário de rico", dirão muitos. Ricos políticos num país de miseráveis. E miseráveis pela simples falta de investimento, competência e corrupção que assolam descaradamente nosso país.
O Brasil poderia sair do buraco se houvesse alguma dignidade na política nacional. Ato que vemos apodrecido há muitos anos. Não é surpresa o auto aumento salarial, mas é imperdoável.
Uma lástima os parlamentares não terem, até hoje, percebido que deveriam representar o povo e o que é bom para o povo. A política no Brasil não se dota de atos sociais, mas, individuais. O bom político não faz pelo povo, faz para si. Aldo Rabelo alegou que é muito desgastante e constrangedor decidir sobre seu próprio salário. Imagine se dedicasse tanto empenho em resolver alguns dos tantos problemas nacionais. Talvez parasse no hospital. Coitado. Quero saber se será constrangedor, no entanto, ver tamanho valor na sua conta bancária. Além, claro, de todas os benefícios acrescidos que, de acordo com matéria do jornal O Globo, podem chegar a cem mil reais mensais para cada parlamentar.
O novo salário dos senadores e deputados é um paradoxo a um país como o Brasil. Um país com uma das mais gritantes desigualdades sociais do planeta sustenta os mais bem pagos políticos daTerra. Nosso país está decadente. A criminalidade cresce exponencialmente e paralelamente à miséria (a pobreza é digna, a miséria arruina qualquer escrúpulo de um cidadão). E os parlamentares se reunem para discutir um aumento berrante de seus contra-cheques. Discutem arduamente seus valores.
Políticos deveriam pagar para trabalhar. Uma forma de retribuir os tantos anos de omissão e corrupção. E deveriam pagar caro.
Há salários de R$24.000,00 no Brasil. Profissionais competentes chegam a ganhar esse valor e até mais. Seus salários, contudo, derivam de sua produtividade e rentabilidade à empresa. Certamente, se a empresa não estivesse lucrando com aquele profissional, seu pagamento não seria tão alto e ele seria, possivelmente, demitido. Certamente, a empresa não diria para seus funcionários: por favor, decidam seus salários que nós, sem qualquer questionamento sobre o valor estipulado - mesmo que ele não condiza com seu ritmo de trabalho, ou com a realidade orçamentária da empresa - prepararemos seu contracheque.
O Brasil não apresenta condições financeiras de bancar toda essa gente, que adicionará por volta de R$150 milhões ao ano aos gastos públicos, ou seja, ao nosso bolso. Se a saúde, a educação, o saneamento básico, as estradas e por aí em diante estão necessitando urgentemente de manutenção e investimento, como pode parecer que o país dispõe de capital suficiente para tamanha despesa? Deputados e senadores passarão a ganhar um salário de classe média alta, uma disparidade irritante para com o assalariado. "Salário de rico", dirão muitos. Ricos políticos num país de miseráveis. E miseráveis pela simples falta de investimento, competência e corrupção que assolam descaradamente nosso país.
O Brasil poderia sair do buraco se houvesse alguma dignidade na política nacional. Ato que vemos apodrecido há muitos anos. Não é surpresa o auto aumento salarial, mas é imperdoável.

