Cume do Garrafão, uma das mais belas vistas.
Lembranças de um final de semana.
Durante todo o dia procurei palavras que fizessem jus ao cume do Garrafão. Em vão. Não as encontrei. Esbarraram por mim somente sinônimos incapazes de expressar com veracidade e autenticidade a sensação de estar ali, vendo abaixo de meus pés montanhas impetuosas como o Dedo de Deus, auto - afirmativas como a Agulha do Diabo e aconchegantes como o Escalavrado. Realizei que descrever aquele momento com coerência e integridade aos ânimos era impossível. O Garrafão é inefável. O Garrafão cala nossas bocas. O Garrafão mostra, através de sua parede de céu azul o mundo que paira abaixo de si. Ele ri dos estupefados montanhistas deslumbrados, incrédulos do que vêem. O Garrafão abre seus braços escancaradamente e nos mostra porque existimos e ainda nos coloca sentados em seu colo para melhor absorvermos tudo o que resistimos em crer que realmente está ali.
"Não se navega o mesmo rio duas vezes". Não se sobe o mesmo Garrafão duas vezes. O sol nos agraciou com sua luz ambos os dias. Apesar de cansativa, a caminhada progredia com bom humor e o grupo de nove pessoas permanecia unido. O acampamento foi montado logo abaixo da Pedra do Sino. O vento nos castigou a noite toda trazendo frio e sons tenebrosos. O cansaço não venceu o desconforto que me trouxe o vento, o frio e a falta de espaço. Acordar cedo, contudo, foi uma benção. O céu era maestroso. Por cima de um deserto de nuvens que se expandia por onde alcançava a vista, estava uma imensa bola laranja. As montanhas ganhavam um colorido dourado e a neblina começava a se dissipar. Era hora de caminhar.

Pra quem não gosta de rapel chegar ao cume esperado é um desafio ainda maior. Primeiro, uma pequena descida de alguns poucos metros dentro de uma caverna fez meu coração saltitar - soubesse eu o que me esperava o teria poupado. Em seguida, um longo rapel por uma rocha lisa e molhada secou minha boca e umedeceu minhas mãos. Enquanto permitia que a corda me levasse à base, olhava com admiração e temor as montanhas ao meu redor. A imensidão azul era interminável e o tapete de morros verdes cobria o chão com a ilusão simétrica que a altura provoca.
Um pouco mais de coragem e lá estávamos nós; no lugar onde todas as bocas se calam e todos os olhos enxergam incrédulos: o Garrafão. Pelo resto de minha vida, espero, continuarei tendo o privilégio de assistir no vídeo-cassete de minha memória a ida ao Garrafão. Espero jamais perder os flashes que hoje deram Replay tantas e tantas vezes por trás de meus olhos.
::: Fui ao Garrafão em meados de 2005 e as lembranças permancem intactas. Felizmente :::
Durante todo o dia procurei palavras que fizessem jus ao cume do Garrafão. Em vão. Não as encontrei. Esbarraram por mim somente sinônimos incapazes de expressar com veracidade e autenticidade a sensação de estar ali, vendo abaixo de meus pés montanhas impetuosas como o Dedo de Deus, auto - afirmativas como a Agulha do Diabo e aconchegantes como o Escalavrado. Realizei que descrever aquele momento com coerência e integridade aos ânimos era impossível. O Garrafão é inefável. O Garrafão cala nossas bocas. O Garrafão mostra, através de sua parede de céu azul o mundo que paira abaixo de si. Ele ri dos estupefados montanhistas deslumbrados, incrédulos do que vêem. O Garrafão abre seus braços escancaradamente e nos mostra porque existimos e ainda nos coloca sentados em seu colo para melhor absorvermos tudo o que resistimos em crer que realmente está ali.
"Não se navega o mesmo rio duas vezes". Não se sobe o mesmo Garrafão duas vezes. O sol nos agraciou com sua luz ambos os dias. Apesar de cansativa, a caminhada progredia com bom humor e o grupo de nove pessoas permanecia unido. O acampamento foi montado logo abaixo da Pedra do Sino. O vento nos castigou a noite toda trazendo frio e sons tenebrosos. O cansaço não venceu o desconforto que me trouxe o vento, o frio e a falta de espaço. Acordar cedo, contudo, foi uma benção. O céu era maestroso. Por cima de um deserto de nuvens que se expandia por onde alcançava a vista, estava uma imensa bola laranja. As montanhas ganhavam um colorido dourado e a neblina começava a se dissipar. Era hora de caminhar.

Pra quem não gosta de rapel chegar ao cume esperado é um desafio ainda maior. Primeiro, uma pequena descida de alguns poucos metros dentro de uma caverna fez meu coração saltitar - soubesse eu o que me esperava o teria poupado. Em seguida, um longo rapel por uma rocha lisa e molhada secou minha boca e umedeceu minhas mãos. Enquanto permitia que a corda me levasse à base, olhava com admiração e temor as montanhas ao meu redor. A imensidão azul era interminável e o tapete de morros verdes cobria o chão com a ilusão simétrica que a altura provoca.
Um pouco mais de coragem e lá estávamos nós; no lugar onde todas as bocas se calam e todos os olhos enxergam incrédulos: o Garrafão. Pelo resto de minha vida, espero, continuarei tendo o privilégio de assistir no vídeo-cassete de minha memória a ida ao Garrafão. Espero jamais perder os flashes que hoje deram Replay tantas e tantas vezes por trás de meus olhos.
::: Fui ao Garrafão em meados de 2005 e as lembranças permancem intactas. Felizmente :::


