Gastronomia chinesa
Uma cliente lá dessas bandas asiáticas convidou a todos do escritorio para almoçar com ela. E lá fomos todos: a minha chefe mexicana, a sócia dela, Margaret, que tem cerca de 90 anos, o vietnamita que senta exatamente na minha frente, eu e a anfitriã, Winnie. Eu já pensando que tinha me dado bem, que ia comer comida de primeira linha, de graça e guardar meu almoço para amanha. A Winnie nos levou para um tradicional restaurante chinês, aqui perto de Pasadena.
O que chamo de restaurante tradicional é que é um restaurante que serve um "brunch" chinês. Pelo o que aprendi com meu amigo vietnamita, é uma forte tradição na China fazer o brunch no domingo com a família. No centro da mesa fica um desses giratórios onde coloca-se a comida e você pode rodar o giratório para alcançar aquilo que lhe for de agrado. Assim como numa churrascaria, os garçons passeiam pelo salão com carrinhos cheios de comida (até aí estava eu sonhando com o Yakisoba), você escolhe o que quer, o garçom coloca no centro da mesa e todos se servem.
Como era de se esperar, os garçons não falam um "a" em inglês. Logo, era o japa aqui do escritório que traduzia o que era a gororoba irreconhecível que começou a aparecer no giratório central. E lá fui eu dar, educadamente, minha primeira dentada no que parecia ser.... o que parecia ser aquilo? Parecia um papelão branco melado com gosma de lesma. Dentro, havia uma camarão. Horrível. Parti para a próxima. Uma bola de arroz com algum animal morto dentro. Horrível. Parei na trouxinha que era até bonitinha. Não sei o que era, mas, a textura gosmenta deu ânsia de vomito. Então veio um treco branco, que eu julguei ser claras em neve. O japa me disse que era pork barbacue. Fui encarar. Parei na metade. E, claro, os chineses não comem com água, uma coca-cola gelada ou um suco de laranja fresco pra aliviar o gosto. Havia, sim, um chá quente que foi minha salvação. A cada mastigada, dois goles de chá. Experimentei todos os melhores pratos, de acordo com meu vietnamita, e todos me causaram embrulhos no estômago. Para não dizer que não gostei de nada, consegui comer o brócolis cozido. Somente. E claro, ainda tivemos direito a sobremesa, que eu estava pronta para pular não fosse o japa insistindo que era delicioso. Pudim de tofu. Ah, não podia ser tão ruim. Mas era. Salgado e doce ao mesmo tempo, com textura de gelatina, mas, cheio de água.
Também foi interessante observar meu amigo vietnamita fazendo aqueles barulhos estranhos que os asiáticos fazem quando gostam da comida alem, de dar algumas cuspidas no prato e, claro que isso só "melhorava" minha indigestão. No final, deixei algumas gororobas mordidas no prato e a anfitriã disse que era pra eu levar o "left over" pra casa. Agradeci, mas, neguei. Este cheiro no meu carro me mataria!
Já escovei os dentes, bebi 2L de água e o gosto gosmento não sai da minha boca.
A quem nunca experimentou, não experimente! O gosto é tão ruim quanto o cheiro.
