Monday, January 26, 2009

Quero uma cama pequena

Dia após dia as camas aumentam de tamanho. Queen, king e até super king size. São camas gigantescas que, em momentos difíceis, poderiam abrigar famílias inteiras. Mas, não. São feitas para dois. Um homem e uma mulher. Ou, num mundo mais moderno, dois homens, duas mulheres. Eu não quero uma cama grande.

Não quero tanto espaço. Um colchão king size tem mais de um metro e meio de largura. Por que ficar tão longe de quem se ama? Não quero esquecer o seu cheiro enquanto durmo. Prefiro a briga por lençol e os travesseiros se esbarrando. Prefiro ter ali do lado o corpo quente. É mais humano sentir o outro ao seu lado de uma forma tão verdadeira que você sabe, até no sono, que aquilo é amor.

Enquanto as camas aumentam, os sonhos se distanciam. Cada um no seu lado passa a noite sem esbarrar com o outro. Não há mais toque noturno, uma cotovelada advinda de um sonho esquisito, um empurrãozinho sem querer. Não há mais nada disso. Dormem como se estivessem sozinhos. Vivem como se fossem sós. Sonham sozinho (se é que há sonho) e constroem seus castelos noutro lugar. Distantes na cama e nos sonhos.

Experimente uma cama miúda, dormir abraçadinho, encostar os pezinhos. E, se forem tão ruins os esbarrões noturnos, talvez seja a hora de buscar outra cama, ou, outro parceiro.

Friday, December 05, 2008

Depois da quinta

Logo depois, muito em seguida, imediatamente após a quinta chega a sexta. E chega mais do que na hora. Não há quem não pense que "se a semana tivesse mais um dia, eu juro que enlouquecia". Quem quer que inventou esta coisa de sete dias certamente estava inspirado. A sexta feira cai no minuto preciso de sua existência e da humana necessidade que ela desperta e vem despertando há mais de 2 mil anos.

As sextas têm um sabor especial. O céu fica mais azul. O dia é mais curto. As pessoas sorriem mais. Há até uma certa leveza no ar. Um "quê" de descompromisso com as obrigações. Afinal, ora, ora, é sexta feira. E tudo que pode ser feito na sexta pode, sim, esperar até segunda.

Parêntesis (sempre achei muito louco esta coisa de "dias úteis". Durante dois dias, sábado e domingo, as urgências se escondem, as prioridades são esquecidas, as transações interrompidas. Há um documento importantíssimo a ser assinado em dois dias úteis. Como hoje é sexta, segunda estará assinado, sem problemas e no prazo. Até a bolsa de valores pára. E há quem acredite que ela não pára!). Retomando:

O almoço de sexta é mais gostoso que qualquer almoço da semana. Na sexta dá vontade de enfiar o pé na jaca, pedir a batata frita evitada por árduos quatro dias. E a gente pede. Sexta é folga da gravata e cabide para o tailleur. É dia de sair do trabalho no minuto que bate o ponteiro. Afinal, é sexta feira.

Na sexta, só não se compensa o engarrafamento. Na ansiedade de chegar àquele lugar o trânsito tinha que cooperar. Ainda assim, até o próprio congestionamento tem seu charme de pôr-do-sol. Mas, como somos humanos e feitos para reclamações, xingamos um pouquinho. Até porque, xingar na sexta tem gosto Maracanã no domingo - é permitido.

Vontades múltiplas: colocar o sono em dia, sair pra cerveja de chinelo no pé, sessão de meia noite, dançar até o sol raiar, DVD com pipoca, buraco com os amigos, festinha cool, jantar com vinho, ou, melhor ainda, carro na estrada. Todos os programas de sexta feira foram feitos para dar o prazer que o dia merece.

Assuma, a cerveja é mais gelada, o filme é melhor dirigido, a festa tem mais gatinha e a estrada estábem cuidada. É por causa do dia. Condição sine qua non.

Ela passa. E passa rápido. No domingo, você sofre. Sofremos com o Faustão, voz que ecoa em todo o país, lembrando a ti que falta novamente muito tempo para encontrar a amada. Mas, sabemos e temos a certeza que ela tarda, mas nunca falha.

Aguardo-te.

Sunday, February 10, 2008

A sala da fantasia

Adoro cinema. Odeio certos detalhes. Filmes norte americanos, nacionais, franceses, alemães, indianos... cinema. O programa é adorável, com pipoca ou sem pipoca. Sessão de meia noite com direito a chopes antes. Sessão das 16:00 junto com a terceira idade. Jantar depois, ou um milk shake de Ovo Maltine grande durante. Cinema abraçadinho e até cinema sozinha, para impulsionar as reflexões. Até os filmes ruins são bons. E os bons, maravilhosos.

Ruim mesmo é sentar na primeira fila. Perco a noção da tela e todos os bons detalhes se distorcem. Não consigo dimensionar as proporções das pessoas, da paisagem, dos objetos que são detalhes fundamentais, subliminares, discretos e indiscretos. O pescoço torce, o ombro enrigece e já se vai o bom humor. Podiam eliminar a primeira, a segunda e a terceira fila do cinema.

Sotaque de ator. Quando um filme americano se passa em outro país, por que não contratam atores nativos? Por que o idioma é o inglês com sotaque? Um bom exemplo é "Amor no tempo do coléra". Inspirado no romance de Gabriel Garcia Marquez, a história se passa na Colombia e os personagens são colombianos. Mas, o idioma é o inglês. Sempre achei isto um bocado ridículo. Uma tentativa esdrúxula de enganar a platéia.

Ontem ouvi, de alguém muito querido, que, assim como há imagens que não podem ser descritas, há palavras que não podem virar imagem. Este é o tênue limiar entre as folhas do livro e as cenas do filme. O que é a força de um, torna-se a fraqueza do outro. Da mesma forma, os complementam. Esta mesma pessoa completou: você pega uma pessoa com o dom da palavra, como Gabriel Garcia Marquez e tenta transformar isto em imagem. É um desafio.

Cinema. Uma sala feita para assistir sonhos. Ilusões. Verdades e mentiras. A sala das fantasias suas e dos outros. Um lugar onde palavras viram imagens, onde americanos ganham sotaques, onde a morte é uma cena, onde algumas imagens são mais felizes em palavras.

Friday, August 17, 2007

Sapatos :: Pergunta do dia

Por que sapatos de mulher são tão desconfortáveis? Não conheço uma que não reclame dos dedos apertados, do calo que dói, da bolha no calcanhar. Quero sapatos de homem! Meias grossas, sola reta e até um air não sei o que.

Saturday, June 09, 2007

Felicidade

Há uma força um pouco do além, um pouco da gente, um pouco dos outros insistindo que a felicidade tem que ser uma condição de todos, sempre, constantemente. Já não temos mais espaço para sofrer (afinal, há Prozac em toda e qualquer esquina). Já não temos mais argumento para falar "quero cultivar minha dor, posso?". Não, desculpe-me, mas, não pode.

Verão. Ora, há algo mais feliz que o verão? Todo mundo bronzeado, corpos suados e sarados e roupas frescas. Chinelos no pé um suco de fruta na mão. No verão todos sentem-se melhores, o sol alegra, xô tristeza, viva a vida! E como no Rio o verão fica ao menos 10 meses ao ano, temos que ser felizes e saudáveis quase 365 dias ininterruptamente.

Acabou o namoro, mas, não pode chorar. Tá bom, meia horinha de lágrimas e pronto, calça esta sandália alta, vista a mini-saia e pronto, está PO-DE-RO-SA para AR-RA-SAR na night. Beba até cair, porque assim você esquece este canalha rapidinho e já, já esta dando gargalhada com o novo gatinho, super feliz.

Está individada até o último fio de cabelo? Besteira, José, financia o crédito e vamos sair para comemorar. Vai chorar por causa de dinheiro? Por causa de filho? Por causa da casa? Por causa do amor? Da morte?

Somos donos de nosso próprio destino. Já não é mais o papai quem diz com quem você casa e qual o curso que fará na faculdade. As decisões são suas e, se te trouxerem infelicidade, amiga, a culpa também é sua. Por isso, é bom que seja feliz, que o marido não a traia, que a profissão te dê retornos pessoais e financeiros além do esperado, que os filhos não fiquem em recuperação e, claro, que o corpinho não saia de forma.

Idiotas os que exigem a felicidade constante. Idiotas porque a tristeza é parte intrínseca de nós, meros seres humanos. Idiotas porque não se cresce na felicidade como se amadurece na dor. Idiotas porque escolhemos errado a vida inteira e sofremos pelos desacertos. Idiotas porque a dor não se vai até que seja digerida por nosso corpo. Ela se camufla e, em algum momento, surge com força e derruba mesmo. Idiotas porque muitos, ao senti-la, entopem-se de drogas legais e ilegais, todas com o igual objetivo de distorcer a sua realidade.

Eu quero dizer que não gosto de sol, muito menos de ficar bronzeada no verão. Quero dizer que, não vou colocar o salto agulha e nem cair na noitada, prefiro um pote de sorvete e assistir "Pretty Woman" pela centésima vez, com lencinho do lado, lógico. Não quero Prozac e muito menos ecstasy. Quero chorar no trânsito, questionar minhas escolhas, assumir o erro, chorar porque errei, porque acertei, porque estou na dúvida.

E então, que venha a felicidade e dure o tempo que durar. Há espaço para lágrimas e sorrisos.

Sunday, April 29, 2007

Ao doce rapaz

Passei anos da minha vida, ou quase toda ela, questionando-me sobre o amor. Virá? Não virá? Tardará ou chegará? Como será? Como serei? Já incrédula, o conheci na forma de pessoa. Muito mais do que podia imaginar, o amor é além de paixão, é mais que atração, é muito mais do que carinho. Amor é....

é inefável e que assim seja eternamente.

Tem que ser assim, indescritível. Que mania têm as pessoas de querer dar nomes a todos os bois, traduzir todos os livros em versões ignóbeis, das quais perde-se tanto sentido. Que mania temos de classificar, pontuar, descrever e transformar em sentenças aquilo que nos foi dado em sentimento.

Não quero que amor seja mais que Amor. Ele é belo em seu mistério. Não quero saber o que o causa, quais hormônios se exaltam, quais os efeitos colaterais. Quero que a ciência se preocupe com problemas e não com soluções.

Em seu transparente mistério, o tal sentimento que rubra as faces e aquece o coração, se mostrou melhor do que a encomenda. Descobri amizade. Descobri que ele compartilha comigo os melhores e os piores momentos da minha e da sua vida, como os poucos grandes amigos. Descobri mais que cinema abraçadinhos. Vi que podemos curtir uma boa música na pista ou em casa. Descobri horas viajando num carro por caminhos desconhecidos. Descobri que pedalar na chuva pode ser bom. Descobri que sou bonita. Descobri amigos em comum. Descobri alguém para encher o prato. Descobri uma facilidade de sorrir que me encanta e um mau humor que não resiste a uma cosquinha verbal.

Descobri que jamais perdi a minha liberdade. Que jamais perdi minha privacidade. Há dias juntos, há noites longes. Aprendemos a compartilhar nossas alegrias. Gargalhadas deliciosas sem motivo, local ou juízo. Olhos úmidos sem por quê, sem querer.

Não quero quebrar o mistério e decodificar o amor. Desejo apenas que esteja sempre, para sempre dentro de mim.

Wednesday, March 21, 2007

Sugestão de leitura

"The Little Book That Beats the Market", de Joel Greenbalt.

O livro fininho, com letras grandes e muitas tabelas é um B+A=BA sobre o mercado financeiro. Ótimo para quem não sabe economizar, para quem quer aprender e melhor ainda, para quem sabe e faz!