Quarta-feira, Junho 30, 2010

Gastronomia chinesa

Não sei quem já experimentou. E, se experimentou, gostou. Eu tinha o leiga idéia que China in Box era comida chinesa. Já tinha ouvido certos boatos que eu não sabia o que era comida chinesa. Ouvi isso aos berros de uma amiga, obviamente japoronga, certa vez, quando insisti que conhecia comida chinesa. E por este episodio único na minha vida, eu até cheguei a acreditar que a culinária de Mao Tse Tung fosse um pouco alem do yakisoba, frango xadrez e chicken orange. Mas hoje, descobri da forma mais cruel o quão alem da caixinha branca e vermelha vai a tal gastronomia chinesa.

Uma cliente lá dessas bandas asiáticas convidou a todos do escritorio para almoçar com ela. E lá fomos todos: a minha chefe mexicana, a sócia dela, Margaret, que tem cerca de 90 anos, o vietnamita que senta exatamente na minha frente, eu e a anfitriã, Winnie. Eu já pensando que tinha me dado bem, que ia comer comida de primeira linha, de graça e guardar meu almoço para amanha. A Winnie nos levou para um tradicional restaurante chinês, aqui perto de Pasadena.

O que chamo de restaurante tradicional é que é um restaurante que serve um "brunch" chinês. Pelo o que aprendi com meu amigo vietnamita, é uma forte tradição na China fazer o brunch no domingo com a família. No centro da mesa fica um desses giratórios onde coloca-se a comida e você pode rodar o giratório para alcançar aquilo que lhe for de agrado. Assim como numa churrascaria, os garçons passeiam pelo salão com carrinhos cheios de comida (até aí estava eu sonhando com o Yakisoba), você escolhe o que quer, o garçom coloca no centro da mesa e todos se servem.

Como era de se esperar, os garçons não falam um "a" em inglês. Logo, era o japa aqui do escritório que traduzia o que era a gororoba irreconhecível que começou a aparecer no giratório central. E lá fui eu dar, educadamente, minha primeira dentada no que parecia ser.... o que parecia ser aquilo? Parecia um papelão branco melado com gosma de lesma. Dentro, havia uma camarão. Horrível. Parti para a próxima. Uma bola de arroz com algum animal morto dentro. Horrível. Parei na trouxinha que era até bonitinha. Não sei o que era, mas, a textura gosmenta deu ânsia de vomito. Então veio um treco branco, que eu julguei ser claras em neve. O japa me disse que era pork barbacue. Fui encarar. Parei na metade. E, claro, os chineses não comem com água, uma coca-cola gelada ou um suco de laranja fresco pra aliviar o gosto. Havia, sim, um chá quente que foi minha salvação. A cada mastigada, dois goles de chá. Experimentei todos os melhores pratos, de acordo com meu vietnamita, e todos me causaram embrulhos no estômago. Para não dizer que não gostei de nada, consegui comer o brócolis cozido. Somente. E claro, ainda tivemos direito a sobremesa, que eu estava pronta para pular não fosse o japa insistindo que era delicioso. Pudim de tofu. Ah, não podia ser tão ruim. Mas era. Salgado e doce ao mesmo tempo, com textura de gelatina, mas, cheio de água.

Também foi interessante observar meu amigo vietnamita fazendo aqueles barulhos estranhos que os asiáticos fazem quando gostam da comida alem, de dar algumas cuspidas no prato e, claro que isso só "melhorava" minha indigestão. No final, deixei algumas gororobas mordidas no prato e a anfitriã disse que era pra eu levar o "left over" pra casa. Agradeci, mas, neguei. Este cheiro no meu carro me mataria!

Já escovei os dentes, bebi 2L de água e o gosto gosmento não sai da minha boca.

A quem nunca experimentou, não experimente! O gosto é tão ruim quanto o cheiro.

Sexta-feira, Junho 04, 2010

Pensamentos Inconsistentes

Eu tenho certa psicose que me leva a ser inconsistente. E eu não tenho idéia de como meu marido me agüenta.

Minha psicose começa com a tal das cotas de palavras diárias. Pra quem não sabe, existem estudos que dizem que a mulher tem uma cota média de 2 mil palavras a serem regurgitadas por dia. No meu caso, tenho um erro de fabricação e a cota é muito mais alta. As vezes, passo o dia sozinha, ou seja, acumulando as palavras que precisam, invariavelmente, sair até meia noite daquele dia. O encontro com meu marido se dá com um beijinho e a clássica pergunta “como foi seu dia?”. Aí eu começo e não páro até sobrarem umas 100 palavras para a hora do jantar e duas (“boa noite”) para antes de dormir.
Ontem me dei conta de como sou, nessa psicose de cotas, inconsistente. Acontece que, durante a verborragia, falo o que penso e o que não penso. Digo hoje que odeio fulano, porque fulano me mandou um email e não disse beijo no final e isso me magoa, porque eu sou uma pessoa que manda beijo pra todo mundo no final do email e eu não acho certo que fulano faça isso comigo. No dia seguinte, eu conto, toda feliz como eu amo fulano, porque fulano me mandou uma mensagem de texto nos convidando pra ir tomar chope na sexta feira e agora nos somos melhores amigos de novo e eu não entendo como tem gente que não gosta do fulano.
Há duas semanas xinguei todas, porque tem um cara velho que tá fazendo trabalho de grupo comigo e o sujeito é muito chato, faz umas perguntas “nada a ver” e diz que vai trabalhar no projeto e nunca trabalha e eu acho isso a maior sacanagem e o velho me mandou um email fazendo um milhão de perguntas e ele podia perfeitamente responde-las sozinho se prestasse um pouco mais de atenção etc etc. Essa semana, o velho imergiu no trabalho e fez umas paradas do cacete, que me fizeram perceber, inclusive, que ele não é velho, mas é um cara super gente boa, novo, inteligente e esforçado.

Meu marido, como todo bom marido ouve em total silêncio, de vez em quando balança a cabeça, solta uns “ahans” e, quando eu paro para respirar, acho que acabou, ele estimula “fala mais, você tá precisando falar”.

Segunda-feira, Maio 10, 2010

Segunda-feira, Abril 26, 2010

Inspirar


Recebi por email, de uma amiga. Nao sei se a velhinha tem 90 anos, ou se efetivamente esta na 3a idade, mas, achei interessante e, independente de quem escreveu, sempre vale a pena um pouco de inspiracao. 

  


Escrito por Regina Brett, 90  anos de idade, em The Plain Dealer, Cleveland , Ohio


"Para  celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a  vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi." 


1. A vida não é justa, mas ainda é boa. 


2.  Quando estiver em dúvida, dê somente, o próximo passo, pequeno. 


3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém. 


4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar  doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato. 


5. Pague mensalmente seus cartões de crédito. 


6.  Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar. 


7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho. 


8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso. 


9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro  salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir. 


11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o  presente. 


12. É bom deixar suas crianças verem que você  chora. 


13. Não compare sua vida com a dos outros. Você  não tem idéia do que é a jornada deles. 


14. Se um  relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele. 


15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se  preocupe; Deus nunca pisca. 


16. Respire fundo. Isso  acalma a mente. 


17. Livre-se de qualquer coisa que não  seja útil, bonito ou alegre. 


18. Qualquer coisa que não o  matar o tornará realmente mais forte. 


19. Nunca é muito  tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e  ninguém mais. 


20. Quando se trata do que você ama na  vida, não aceite um não como resposta. 


21. Acenda as  velas, use os lençóis bonitos, use lingerie chic.  Não guarde isto  para uma ocasião especial. Hoje é especial. 

22.  Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo. 


23. Seja excêntrica agora. Não espere pela velhice para  vestir  roxo.  


24. O órgão sexual  mais importante é o cérebro. 


25. Ninguém mais é  responsável pela sua felicidade, somente você.. 


26.  Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em  cinco anos, isto importará?' 


27. Sempre escolha a vida. 


28. Perdoe tudo de todo mundo. 


29. O que  outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo. 


31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso. 


33. Acredite em milagres. 


34. Deus ama você  porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não  fez. 

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e  aproveite-a ao máximo agora. 


36. Envelhecer ganha da  alternativa -- morrer jovem. 

37. Suas crianças têm apenas  uma infância. 


38. Tudo que verdadeiramente importa no  final é que você amou. 


39. Saia de casa todos os dias. Os  milagres estão esperando em todos os lugares. 


40. Se  todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os  outros como eles são, nós pegaríamos  nossos mesmos problemas de  volta. 


41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo  o que precisa. 


42. O melhor ainda está por vir. 


43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e  apareça. 


44. Produza!


45. A vida não está  amarrada com um laço, mas ainda é um presente. 

Terça-feira, Março 23, 2010

Engarrafada


Sempre fui filhinha-de-papai. Nasci, brinquei, cresci e estudei na Gávea. Terminado o colégio, fiz PUC. Igualmente na Gávea. Na época do colégio meu pai nos levava pro colégio. Ele levantava bem mais cedo, fazia a barba, tomava banho, lia o jornal (não necessariamente nessa ordem – a verdade é que eu não sei a ordem, já nunca estava acordada) e só então nos cahamava, às 6:30. Era preciso ir no meu quarto ao menos três vezes. Depois do café, eu ia cochilando no carro até o colégio. Voltávamos no ônibus da escola, dirigido pelo Seu Fernando, um português que cumpria com afinco sua função de motorista. Quando o engarrafamento pesava, na Marques de São Vicente, descia do ônibus e andava até em casa, olhando com superioridade pra todos presos no transito.

Na PUC, a aula começava às 7:00 e eu precisava acordar as 6:40, colocar minha calça jeans e meu All Star e descer correndo a ladeira da rua das Acácias. Subia a Major Rubens sem preocupação e ia pra aula. No intervalo, tomava meu café da manhã no Bar dos Funcionários: pão na chapa “caprichado na manteiga” e café preto. Com adoçante.

Uma e quinze da tarde já tinha subido a ladeira e já estava almoçando. Tirava um cochilo esparramada no sofá da sala, assistindo alguma grande inutilidade televisiva e, no final da tarde descia a ladeira para a academia.

Nasci na Clínica São Vicente, na Gávea, também. Fiz terapia, por 3 anos, na Gávea. Andava de Patins na rua dos bombeiros, na Gávea. Ia ao banco no Shopping da Gávea. Fiz jazz no mesmo bairro. Descia pra tomar chope com o pessoal no Hipódromo e saía pra comer no fim de semana no Braseiro da Gávea.

Eu nunca soube o que era transito. Nunca enfrentei no dia-a-dia.

Quando me mudei para Botafogo utilizava o metro como principal forma de transporte. Levava 15 minutos para o trabalho. Reclamava ardentemente quando, ocasionalmente, ficava presa na São Clemente.

Por um certo tempo estagiei em uma produtora no Joá e é claro que havia engarrafamento no final do dia. Por isso, saia 4:00 do escritório, quando era possível. Mas, o trabalho não durou, entre outras razoes, por causa da distancia.

E aí nos mudamos para Los Angeles e eu vi as intermináveis Freeways que tecem toda cidade. Inicialmente tinha medo de entrar nas estradas. Ficava inibida com o mar de carros que me ultrapassavam a 130km/hr. Mas, fui entendo a praticidade e apertando o pé no acelerador.

Comecei, então, a entender que não havia se construído tantas freeways por mero prazer e que aquela teia que enrolava toda a cidade não dava vazão a quantidade de carros que circulam de um lado para o outro. E foi aí que eu senti que todos os meus anos de filhinha-de-papai-moradora-da-gávea-pedestre tinham me fadado a vivenciar o que há de pior em termos de engarrafamento urbano mundial.

De manha, sigo em direção ao centro da cidade com o sol na cara, numa altura que o pára-sol não alcança e volto com o sol baixo, ardendo meus olhos. Entendi por que carro manual pode ser um saco. Entendi que não há estação de rádio que suporte o caos. Descobri que é desesperador abrir a janela do carro (mesmo sem o risco do pivete passar correndo e levar sua bolsa, sua pulseira, seu celular, sua vida) mas, que ficar com a janela fechada não adianta nada.

Atualmente, minha jornada semanal alcança 12 horas dirigindo e cerca de 450km de estrada. Insuportável! Enlouquecedor!

Parada, observo todos os carros a minha esquerda, fico olhando pelo retrovisor a pessoa do carro de trás tirar meleca, falar no celular, tomar café. Olho a placa do carro da frente. Faço combinações variadas com letras e números. Invento histórias com as pessoas do carro do lado. E o tempo passa, mas, o carro da frente não sai de lugar.

Fui mal acostumada e agora estou pagando o pato. 

Quinta-feira, Março 11, 2010

Para rir

Esse vídeo foi uma das coisas que mais me fez rir nos últimos tempos.






Ao assistir pela primeira vez, fiquei constrangida e abaixei o som do computador (e olha que estava em casa!). Depois, assisti novamente, com o volume alto.

Destaque para 1:05

Incompleto, mas completo



Certo dia, andando pelo campus de UCLA, já de noite, contava non stop de meu dia para o Pedro quando ele me disse que havia “entregue a parada pro Paulo”. Respondi “poxa, que bom. Espero que ele curta.” E, sem qualquer rodeio, voltei ao inútil assunto de meu minúsculo cotidiano.

Foi aí que surgiu o assunto.

Por vezes, a conversa de um casal, ou de amigos próximos, ou de mãe e filho compõe-se de frases fragmentadas, idéias pela metade que somente fazem sentido para os envolvidos. Para as demais orelhas alheias, tornam-se frases de múltiplas interpretações, quiçá, nenhum sentido.

Arrisco dizer que tais frases, sem aparente nexo, são um reflexo dos pensamentos que quase se confundem, de um entendimento mútuo que se completa.

É verdade que nunca seremos um só. O caminho é solitário, impossível negar. Nem teria graça se não fosse.

Percebi, contudo, que é possível ouvir tão bem uma pessoa, conhecê-la tão profundamente, que é possível antecipar suas palavras, ler seus pensamentos. Viramos um pouco o outro. E o outro vira um pouco a gente.

Explicando, para quem se interessar: a “parada” era um passe que ganhei para o lift de uma estação de esqui. Como não usaria, decidi dar para o amigo do Pedro. Acertou?

Sexta-feira, Março 05, 2010

A ONG respondeu

Como esperado eu não recebi nenhum email da ONG Projeto Legal. Nenhum. Mas, hoje decidi entrar no site deles e vi que eles esclarecem a notícia do Globo Online. Tive até a impressão de que foi direcionado para mim. Mas, imagine, felizmente, não sou a única que grita quando se revolta.

Não sei se acredito.

Será?

Deixo no ar a pergunta.

Copio aqui os esclarecimentos prestados pela ONG.



À família de João Hélio e à sociedade brasileira,
A Organização de Direitos Humanos – Projeto Legal, entidade de direito privado, sem fins lucrativos, sediada no estado do Rio de Janeiro, considerada de utilidade pública municipal (cidade do Rio de Janeiro) e estadual (estado do Rio de Janeiro) com base nas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - lei nº 8.069/90) e da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, vem manifestar-se publicamente sobre os fatos recentemente divulgados pela imprensa no Caso João Hélio, ocorrido em 2007:
  1. Como defensora dos direitos de crianças e adolescentes, a ODH Projeto Legal esclarece que se solidariza com a família do menino João Hélio pela dor irreparável causada pela perda trágica de um filho querido, como de todas as crianças e adolescentes vítimas fatais da política de extermínio sustentada pela estrutura do Estado brasileiro nos seus 510 anos de existência.
  2. Nesse sentido, compreende e compartilha o anseio por justiça de familiares e de toda a sociedade brasileira.
  3. A ODH Projeto Legal desmente veementemente a informação veiculada por diversos meios de comunicação na última quinta-feira, dia 18, sobre a transferência do jovem para a Suíça, não havendo precedentes desta natureza nos sete anos de existência do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM).
  4. O Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) é um projeto desenvolvido e coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH). O PPCAAM é executado por oito instituições em estados distintos da federação, entre elas a ODH Projeto Legal.
  5. A inclusão provisória de E. no referido programa deu-se por decisão do Tribunal de Justiça, em resposta à solicitação apresentada por sua mãe. Dessa forma, a ODH Projeto Legal tão somente cumpriu decisão judicial que envolve o referido programa do governo federal.
  6. A ODH Projeto Legal aproveita a oportunidade para reafirmar seu compromisso contra qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes, defendendo incondicionalmente a garantia do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além da proteção contra toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, conforme o artigo 227 da Constituição da República.
  7. Mais informações sobre o PPCAAM podem ser obtidas no site da SEDH: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sedh/spdca/ppcaam/

Direção da Organização de Direitos Humanos – Projeto Legal

Carta à ONG Projeto Legal

Enviei esta carta à ONG Projeto Legal (http://www.projetolegal.org.br/) quando soube, por meio do Globo Online que o assassino do menino João Hélio estaria de malas prontas para a Suíça, onde receberia nova identidade, nova vida, novas oportunidades. Contavam que o jovem assassino estaria sendo ameaçado de morte e por isto, a ONG o ajudaria a "recomeçar" sua "vida". 

Eis a carta enviada por mim à ONG Projeto Legal: 

Acredito que eu não seja a primeira, tampouco serei a última a indignar-me com as notícias de que a ONG Projeto Legal está protegendo o assassino do menino João Hélio. 

Ele está sendo ameaçado de morte?

Nós, cariocas e brasileiros, vivemos ameaçados de morte todos os dias. Sofremos a constante angústia de perdermos nossas vidas estupidamente, por causa de R$5, do cinto que não abriu, do ladrão que não foi com a nossa cara, da moto que não pegou, da reação desprevenida. Tememos sentir o vazio instransponível que sentem aqueles que perdem seus entes, seus amores, seus filhos, amigos e pais estupidamente. Barbaramente. Nos, cidadãos do bem, honestos, pagadores de impostos vivemos ameaçados de morte. Vivemos com medo de bandidos como este que a sua ONG protege.

Direitos Humanos? Sim, todos merecemos. Mas, primeiro deveriam merecer aqueles que não praticam o mal, que não matam crianças de forma bárbara.

Assusta. Assusta saber que um assassino, que a nata da escória da sociedade tem a oportunidade de mudar-se para um país de primeiro mundo por estar sendo ameaçado de morte e nós continuaremos ao léu, jogados, aprendendo a conviver com o medo, com a violência, com a banalidade pela vida e com a impunidade.

Copiei um trecho de como sua ONG se apresenta:


"Nosso foco é o atendimento jurídico-social a cidadãos que tiveram seus direitos violados."

E um assassino como este entra no topo da sua lista? Viagem para Suíça, identidade anônima, proteção? A oportunidade de reconstruir sua vida, ou, de cometer novos crimes em cima de uma nova identidade? E os cidadãos do bem, como garantem seus direitos? 

Não! Não é, não pode ser certo nem seguro que um indivíduo como este receba este premio. Para mim, os valores de sua ONG estão distorcidos. 

Se eu me revoltei e chorei aos prantos de indagação hoje, ao acompanhar as notícias, eu não posso imaginar o sentimento de impotência, de revolta, de questionamento que sente a família de João Helio. Vocês conseguem? Sua ONG é capaz de entender este sentimento?

Se um dia eu tiver que investir em uma ONG certamente não será no Projeto Legal, que ajuda bandido na falsa hipocrisia de que crueldade tem cura. 

Posso crer que vocês lerão meu email, farão alguns comentários internos do tipo "nossa, está dando o que falar" e o jogarão no lixo. Para nunca mais ser lido. Tampouco respondido.